Dá pra imaginar o que isso significava para um cara que até um ano antes era só um estudante de jornalismo muito, muito fã de quadrinhos?
E a Bienal foi simplesmente fenomenal. Convidados de altíssimo nível, mostras por toda a cidade, cartazes temáticos feitos por artistas internacionais e muto mais. Além disso, havia, pelo menos, duas exposições incríveis. A primeira era Isto é a França, com ates originais de Moebius, Frank Margerin, François Bourgeon, Jano, François Schuiten, François Boucq e outros espalhadas em cenário pós-apocalíptico e uma estátua enorme de Hórus, personagem da Trilogia Nikopol, de Enki Bilal, lançada em 2011, na íntegra, pela Nemo.
A outra era O Mundo de Tex, uma reprodução de uma cidade do Velho Oeste, com direito a saloon, para exibir originais dos artistas da Sergio Bonelli Editore. Impossível não entrar no clima das aventuras do ranger.
Mas o momento mais marcante, para mim, foi outro. Estava eu numa conversa no estande da Globo, quando minha diretora na época, a Flavia Ceccantini, bateu no meu ombro e disse: "Sidney, quero te apresentar duas pessoas".
Eu me virei na maior naturalidade e na minha frente estavam "apenas" Moebius e Will Eisner. Nunca fui de ficar sem graça, mas manja aquele momento em que você não sabe o que dizer? Se falava em inglês, francês, espanhol, português, italiano, russo ou grego? Foi o que aconteceu. Apenas cumprimentei os dois, disse algumas palavras (as quais nem consigo me lembrar) e fiquei ali, abobado, por estar perto de duas lendas dos quadrinhos mundiais.
Depois, o pessoal da redação tirou sarro da minha cara, pois disseram que eu parecia um menino que acabara de ganhar um presente. E não é que era verdade?
Durante o evento, eu ainda conheceria Sergio Bonelli, Mauricio de Sousa, Ziraldo, Alberto Breccia, José Muñoz, Carlos Sampayo, Frank Margerin, o jornalista inglês Paul Gravett e muita gente que, anos mais tarde, se tornaria bastante conhecida no mercado de quadrinhos, como Lourenço Mutarelli, por exemplo.
A 1ª Bienal de Quadrinhos do Rio foi o primeiro evento de quadrinhos do qual participei. E segue até hoje como um dos melhores que vi em tantos anos trabalhando com HQs.
E como muitos leitores nem haviam nascido naquela época, seguem abaixo as três matérias (eram pra ser quatro, como aparece logo no começo do primeiro texto) que produzi sobre o evento. Note uma curiosidade: no começo dos anos 1990, chamávamos os quadrinhos de Oitava Arte. Até hoje me pergunto quando as HQs foram rebaixadas...
Matéria 1
Matéria 2














A lista original do Hegel era:
ResponderExcluir1. arquitetura
2. escultura
3. pintura
4. música
5. dança
6. poesia
O italiano Ricciotto Canudo publicou em 1912 um manifesto clamando para o cinema o título de sétima arte.
Se os quadrinhos são a nona... então qual seria a oitava??
Daniel, já ouvi que seria a fotografia. Será que procede?
ResponderExcluirOlha eu lá, com minha primeira HQ! Eita tempo bão... Tinha 20 anos hehehe
ResponderExcluirPode crer, Vilela. Estava lá no meu texto!
ResponderExcluirNossa, tenho os quadrinhos com essas matérias até hoje! Não sabia que eram do jovem Sidney Gusman. Em 1990 eu era apenas um menino de 10 anos que ficou com muita vontade de ir e ficava tagarelando para meus pais me levarem em um evento desse quando acontecesse por que queria me tornar desenhista de quadrinhos. Muito bacana relembrar. Ótimas matérias e um ótimo post para o blog!
ResponderExcluirGusman! Grande evento! Estive com essa turma em 91! Momento histórico! Provavelmente nos esbarramos nessa época.
ResponderExcluirBom relembrar!!!
Abraço, querido!
Carlos Ferreira
Eu tinha apenas 1 ano na época, aí, não pude aproveitar essa oportunidade única... Uma coisa me chamou a atenção na reprodução da cobertura do evento: chamaram as histórias em quadrinhos de 8ª arte? A arte sequencial não é a nona arte?
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