quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Causos do mercado de quadrinhos: "Fui eu, Sidão!"

Como o personagem desta história já tornou isso público num depoimento pra mim no Orkut e cheguei a postá-la no Blog do Universo HQ, posso recontá-la aqui sem preocupações.

Em 1991, eu trabalhava como redator da Editora Globo e tinha, entre outras atribuições, a "chata" incumbência de redigir as matérias que saíam na seção HQ Press, da revista Sandman.

Um dia, apareceram na redação dois jovens leitores para mostrar seus trabalhos pro editor, o Leandro Luigi Del Manto. Um se chamava Ricardo Giassetti, que anos depois se tornaria um dos donos da extinta Pandora Books e roteirista (ele é o autor de O filho da costureira e o catador de batatas ou O catador de batatas e o filho da costureira); e o outro, Delfin, que viraria um multimídia que, entre outras coisas, faz um programa de rádio na web, o Ninho do Coruja, escreve muito bem sobre quadrinhos e, produz capas de livros para várias editoras - veja aqui o portfólio do estúdio dele no Facebook.

Os dois estavam começando e o papo correu solto. Em dado momento, Delfin citou uma revista chamada Mephisto - Terror Negro, da editora ICEA, de Campinas. Nem deixei ele terminar a frase.

- Eu conheço - falei.

- Sério? - perguntou o Delfin, todo animado

- Sim, os caras chuparam minha matéria do Sandman # 13 (sobre os sonhos nos quadrinhos, que deu um trabalho de pesquisa do cão) na maior cara-dura! - esbravejei.

- É verdade! - ele disse.

- Você também viu a tal matéria? - indaguei.

- Não, fui eu que escrevi... - ele confessou.

Cara, ficou um silêncio sepulcral na redação. É difícil me deixar sem graça, mas a humildade dele na hora me quebrou. O Delfin (que tinha 19 anos, na época) disse que respeitava muito meu trabalho, que eu servia como fonte e, por inexperiência, acabou copiando vários trechos e tal.

Apesar do que o Delfin classifica como vexame, eu fiquei sem ação, disse que entendia, mas pedi para ele não fazer mais aquilo. Expliquei que a pesquisa era válida, mas que criasse seus próprio estilo de escrever etc.

Até hoje, damos boas risadas quando lembramos desse episódio. O Delfin fala que ficou anos sem poder me encarar, mas isso é bobagem, pois o cara se tornou um baita profissional, colaborador (beeeeeem esporádico) do Universo HQ e, principalmente, um grande amigo.

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