sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Relembrando a 1ª Bienal de Quadrinhos do Rio (ou O dia em que conheci Moebius e Will Eisner)

O ano era 1991. Eu trabalhava como redator nos títulos de quadrinhos da Editora Globo. No começo de novembro, foi realizada a 1ª Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio de Janeiro, e fui ao evento para produzir matérias para a seção HQ Press, da revista Sandman.

Dá pra imaginar o que isso significava para um cara que até um ano antes era só um estudante de jornalismo muito, muito fã de quadrinhos?

E a Bienal foi simplesmente fenomenal. Convidados de altíssimo nível, mostras por toda a cidade, cartazes temáticos feitos por artistas internacionais e muto mais. Além disso, havia, pelo menos, duas exposições incríveis. A primeira era Isto é a França, com ates originais de Moebius, Frank Margerin, François Bourgeon, Jano, François Schuiten, François Boucq e outros espalhadas em cenário pós-apocalíptico e uma estátua enorme de Hórus, personagem da Trilogia Nikopol, de Enki Bilal, lançada em 2011, na íntegra, pela Nemo.

A outra era O Mundo de Tex, uma reprodução de uma cidade do Velho Oeste, com direito a saloon, para exibir originais dos artistas da Sergio Bonelli Editore. Impossível não entrar no clima das aventuras do ranger.

Mas o momento mais marcante, para mim, foi outro. Estava eu numa conversa no estande da Globo, quando minha diretora na época, a Flavia Ceccantini, bateu no meu ombro e disse: "Sidney, quero te apresentar duas pessoas".

Eu me virei na maior naturalidade e na minha frente estavam "apenas" Moebius e Will Eisner. Nunca fui de ficar sem graça, mas manja aquele momento em que você não sabe o que dizer? Se falava em inglês, francês, espanhol, português, italiano, russo ou grego? Foi o que aconteceu. Apenas cumprimentei os dois, disse algumas palavras (as quais nem consigo me lembrar) e fiquei ali, abobado, por estar perto de duas lendas dos quadrinhos mundiais.

Depois, o pessoal da redação tirou sarro da minha cara, pois disseram que eu parecia um menino que acabara de ganhar um presente. E não é que era verdade?

Durante o evento, eu ainda conheceria Sergio Bonelli, Mauricio de Sousa, Ziraldo, Alberto Breccia, José Muñoz, Carlos Sampayo, Frank Margerin, o jornalista inglês Paul Gravett e muita gente que, anos mais tarde, se tornaria bastante conhecida no mercado de quadrinhos, como Lourenço Mutarelli, por exemplo.

A 1ª Bienal de Quadrinhos do Rio foi o primeiro evento de quadrinhos do qual participei. E segue até hoje como um dos melhores que vi em tantos anos trabalhando com HQs.

E como muitos leitores nem haviam nascido naquela época, seguem abaixo as três matérias (eram pra ser quatro, como aparece logo no começo do primeiro texto) que produzi sobre o evento. Note uma curiosidade: no começo dos anos 1990, chamávamos os quadrinhos de Oitava Arte. Até hoje me pergunto quando as HQs foram rebaixadas...

Matéria 1

 
 

Matéria 2

 
 

Matéria 3


 
 


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Só os nerds veem...

Hoje, enquanto navegava no portal G1, vi a foto abaixo (tirada por Owen Humphfreys, da Associated Press), com ondas gigantes na costa de Seaham, no nordeste da Inglaterra. Veja aqui a notícia.


A imagem por si só impressiona, mas, ao bater o olho, "enxerguei" na forma da onda gigante uma forma humanoide, como se fosse um gigante, numa típica pose de quadrinhos de super-heróis, à frente do farol. 

Chamei o Flavio Teixeira, roteirista da MSP, e perguntei: "O que você vê aqui?". E ele, de cara: "O Hulk!" 

Não cheguei a tanto (até porque acho que parece mais o Fanático - Ha, ha, ha), mas atestei: tem coisa que só os nerds veem. :D

E você, teve a mesma impressão?

Causos do mercado de quadrinhos: "Fui eu, Sidão!"

Como o personagem desta história já tornou isso público num depoimento pra mim no Orkut e cheguei a postá-la no Blog do Universo HQ, posso recontá-la aqui sem preocupações.

Em 1991, eu trabalhava como redator da Editora Globo e tinha, entre outras atribuições, a "chata" incumbência de redigir as matérias que saíam na seção HQ Press, da revista Sandman.

Um dia, apareceram na redação dois jovens leitores para mostrar seus trabalhos pro editor, o Leandro Luigi Del Manto. Um se chamava Ricardo Giassetti, que anos depois se tornaria um dos donos da extinta Pandora Books e roteirista (ele é o autor de O filho da costureira e o catador de batatas ou O catador de batatas e o filho da costureira); e o outro, Delfin, que viraria um multimídia que, entre outras coisas, faz um programa de rádio na web, o Ninho do Coruja, escreve muito bem sobre quadrinhos e, produz capas de livros para várias editoras - veja aqui o portfólio do estúdio dele no Facebook.

Os dois estavam começando e o papo correu solto. Em dado momento, Delfin citou uma revista chamada Mephisto - Terror Negro, da editora ICEA, de Campinas. Nem deixei ele terminar a frase.

- Eu conheço - falei.

- Sério? - perguntou o Delfin, todo animado

- Sim, os caras chuparam minha matéria do Sandman # 13 (sobre os sonhos nos quadrinhos, que deu um trabalho de pesquisa do cão) na maior cara-dura! - esbravejei.

- É verdade! - ele disse.

- Você também viu a tal matéria? - indaguei.

- Não, fui eu que escrevi... - ele confessou.

Cara, ficou um silêncio sepulcral na redação. É difícil me deixar sem graça, mas a humildade dele na hora me quebrou. O Delfin (que tinha 19 anos, na época) disse que respeitava muito meu trabalho, que eu servia como fonte e, por inexperiência, acabou copiando vários trechos e tal.

Apesar do que o Delfin classifica como vexame, eu fiquei sem ação, disse que entendia, mas pedi para ele não fazer mais aquilo. Expliquei que a pesquisa era válida, mas que criasse seus próprio estilo de escrever etc.

Até hoje, damos boas risadas quando lembramos desse episódio. O Delfin fala que ficou anos sem poder me encarar, mas isso é bobagem, pois o cara se tornou um baita profissional, colaborador (beeeeeem esporádico) do Universo HQ e, principalmente, um grande amigo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vai um vilão aí?

Desde o lançamento de Astronauta - Magnetar, do Danilo Beyruth, entrei numa correria está tamanha que não consegui fazer um mísero post aqui pro meu blog pessoal. Tentarei corrigir isso...

Bom, a novidade da vez para quem curte o meu trabalho é o Guia Curioso dos Vilões do Cinema e da TV, um especial da revista Mundo Estranho, da Abril, com a qual colaboro desde 2004. Veja aqui alguns trabalhos que fiz, como free-lance, para a editora em 2012.

Neste especial, que está indo muito bem de vendas, os textos são dos repórteres Victor Bianchin, Nathan Fernandes e Luiz Romero, e o design, sempre pra lá de competente, é da Ale Kalko e da Nika Santos.