quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um pai, um filho e os quadrinhos


Hoje, completo 46 anos. Este é o meu segundo aniversário sem o meu pai, o “seu” Domingos. Em 2010, uma semana antes de eu fazer 44, ele partiu pro andar de cima, depois de lutar um bocado pela vida.

A saudade do velho Mingo ainda machuca, tanto que, em 2011, na HQ Con, em Florianópolis, eu estava palestrando em pleno Dia dos Pais e, quando me lembrei dele, não consegui me controlar e caí no choro – e ocorreu o mesmo em Belém, este ano. Mas ele, que me ensinou tantas coisas em vida, continuou suas lições até na hora de se despedir.

Nunca imaginei, por exemplo, que teria coragem de dizer pro meu pai, no leito de um hospital (após mais de um ano entre idas e vindas da UTI), pra que “descansasse”. Era egoísmo demais de minha parte querer tê-lo mais tempo do meu lado, à custa de tanto sofrimento.

Meu pai era meu ídolo. Tive um monte de diferenças com ele na juventude? Claro, como ocorre com praticamente todo mundo, mas eu nutria uma admiração gigante por ele. Um cara que só cursou até o quarto ano do primário, mas sempre nos proporcionou um bom colégio e fez questão que seus filhos fizessem faculdade, para “ter um futuro melhor”.

Ele me colocou pra trabalhar aos 14 anos, e hoje agradeço demais por isso. Trabalhava na firma dele, é verdade, mas comecei (com muito orgulho) como office-boy, pra aprender o caminho das pedras.

E é dessa época a recordação, muito viva ainda, sobre a qual escrevo agora; e que tem ligação com os quadrinhos. Assim que comecei a ganhar meu próprio dinheiro, gastava bastante em HQs – especialmente nos formatinhos de super-heróis da Abril. Por isso, não foram poucas as vezes em que ele abriu a porta do quarto que eu dividia com meu irmão mais novo e esbravejou, com seu jeitão espanhol (na verdade, meus avós eram espanhóis): “Sidney, o que esta merda vai te dar?”.

Aquilo me enfurecia, evidente. Algumas discussões aconteceram, mas, felizmente, ele nunca passou da promessa de dar fim às minhas revistas.

O tempo passou e, depois de ter me formado em Educação Física, passei a cursar jornalismo (sempre pagando do próprio bolso a faculdade). Após dois anos batendo cabeça como repórter esportivo de rádio (enquanto ainda trabalhava com meu pai), veio a oportunidade de transformar a minha paixão pelos quadrinhos numa oportunidade de emprego, como contei no post inaugural deste blog.

Lembro bem da cara do meu pai quando lhe contei que havia conseguido minha primeira matéria: era um misto de surpresa e orgulho. Quando o texto foi publicado, ele, com seu jeito durão de ser, me parabenizou, mas era nítido que ainda não entendia bem o que aquilo representava pra mim.

Quando começaram a sair matérias minhas (ainda como free-lance) em jornais que ele lia sempre (Jornal da Tarde, Folha da Tarde e Estado de S.Paulo), aí, sim, a coisa mudou.

Um belo dia, o “seu” Mingo me chamou e disse: “Filho, eu não entendo nada do que você escreve, mas você escreve bem pra caramba”. Como aquilo me fez bem! Não pelo elogio ou pelo reconhecimento, mas porque meu pai, naquele momento, pressentia que eu não queria continuar o negócio (de tratores e peças usadas) que ele tocava havia quase 40 anos; que minha ideia era voar com minhas próprias “asas”.

E foi o que aconteceu. Veio o primeiro emprego na área de quadrinhos, na Editora Globo, meu pai foi "amolecendo" com a idade e passou a curtir, com orgulho indisfarçável, todas as minhas conquistas, matérias, prêmios, empregos novos... E o resto é história.

Mas há um episódio que me marcou demais. Dezesseis anos depois, em 2006, na Bienal do Livro de São Paulo, eu estava autografando, junto com o Mauricio de Sousa, o livro Mauricio - Quadrinho a Quadrinho, da Globo. Foi quando vi aquela inconfundível cabeleira branca se aproximando por trás de dezenas de pessoas que estavam em frente ao estande.

Imediatamente me levantei e vi meu pai (que, àquela altura, já não tinha o mesmo vigor físico de antes, devido a pequenas isquemias cerebrais) e minha mãe chorando copiosamente. Aquilo me fez desmoronar, na frente de todo mundo. Meu velho me abraçou e, ao meu ouvido, ameaçou um pedido de desculpas.

Enquanto o Mauricio dizia pra ele, com o livro nas mãos: "Viu que coisa linda o seu filho fez?", pedi ao “seu” Mingo que não se desculpasse. Afinal, eu já era pai (na acepção da palavra, como ele foi pra mim) e sabia o quanto a gente se preocupa com o futuro dos filhos. E, distante do ímpeto juvenil de outrora, eu agora compreendia que ele não teve, pela falta de estudo e de informação, a oportunidade de saber que os quadrinhos podiam, sim, abrir muitas portas pro filho mais velho dele. Bastava eu saber aproveitar. Que bom que herdei não apenas a determinação dele, mas também sua teimosia.

Depois que me casei, em todo dia 29 de agosto, o telefone tocava por volta das 7 horas da manhã. Do outro lado da linha, meu pai cantarolava o começo de Parabéns a você, com a voz embargada. Aí, ele brincava com a idade que eu estava completando, pra não chorarmos os dois. Mas, naquele dia de março de 2006, na Bienal, ele nem procurou se conter. Ainda bem, “seu” Domingos, ainda bem.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A minha coleção de quadrinhos

Como o pessoal vivia me pedindo fotos da minha coleção, em 2010 fiz um vídeo com parte dela. Não está com uma boa resolução, pois gravei com a câmera fotográfica, mas dá pra ter uma ideia.

Ainda faltava muita, muita coisa, que não mostrei porque não estavam bem arrumadas. Além disso, em dois anos quase todas essas prateleiras ficaram lotadas! Já preciso de mais espaço. :-/

Nas estantes da minha sala guardo basicamente só publicações em formato livro e algumas das memorabilias que gosto mais. As revistas mensais, edições especiais de bancas, minisséries, formatinhos e mais uma pancada de brinquedos ficam no meu escritório, mostro numa próxima vez.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O (doce) gostinho de se sentir campeão do mundo

Não, este não é um post sobre esportes. Estou resgatando mais uma história de minha carreira jornalística, que eu havia postado em 2007, no Blog do Universo HQ.

No dia 30 de março de 2007, eu estava na minha sala na Mauricio de Sousa Produções, quando tocou o telefone. Era o Fábio Volpe, então redator-chefe da Mundo Estranho, revista da Abril da qual sou colaborador desde 2004 - além de ter feito muitas matérias, cobria férias dos editores e, ainda hoje, edito e escrevo especiais.

Como na época estava editando um especial de Harry Potter, pensei que era alguma coisa ligada a isso. Mas não. O Volpe falou assim: “Sidão, tenho uma boa notícia: pode acrescentar no seu currículo uma medalha de ouro no Malofiej! A matéria de sexo ganhou!”.

Quase caí pra trás! Explicando: o Malofiej é o mais importante prêmio de infografia do planeta, que rola na Espanha. Todos os anos centenas de veículos de comunicação inscrevem trabalhos em busca dessa cobiçada conquista.

As imagens neste post mostram as seis páginas da matéria (que foi escrita por mim, ilustrada pelo Carlo Giovani, teve design da Renata Steffen e fotos do Manuel Nogueira), pra quem quiser conferir. A sacada de ilustrar tudo como se fossem tatuagens sobre os corpos foi da Renata e o Carlo mandou bem demais!

O mais legal de tudo, é que foi uma matéria numa área (saúde) na qual escrevi poucas vezes nos meus mais de 20 anos de jornalismo. Lembro quando o Volpe me ligou perguntando se eu topava.

Eu teria que explicar: como se formam os espermatozoides, por que esfregar o pênis dá prazer, como o pênis fica duro, como a vagina fica lubrificada para a transa e o que acontece no corpo durante o orgasmo.


Alguém pode achar que isso é baba, que tem em qualquer livro, mas não é por aí. Quem já leu a Mundo Estranho conhece o perfil da revista: os textos têm que cavar coisas inusitadas e diferentes e explicar tudo de forma clara, especialmente quando se trata de um artigo com infográficos. E era a matéria de capa! Um desafio e tanto, que, claro, topei!

Falei com vários médicos e sexólogas, pesquisei um bocado em livros e na net, enchi o saco dos entrevistados até ter a certeza de que estava transmitindo todas as informações de forma precisa e, principalmente, clara (afinal, o público da revista é adolescente). E o resultado valeu a pena!

Quando ministro palestras ou cursos, sempre toco no ponto de que, hoje, tem jornalista que esqueceu (ou não sabe) a importância de uma boa pesquisa, de uma apuração detalhada. E isso vale para qualquer profissional, pra um iniciante ou mesmo alguém com muitos anos de janela.

Faço isso até quando faço algum artigo sobre quadrinhos, (que, modéstia à parte, conheço bastante); que dirá com outros assuntos a respeito dos quais não escrevo com frequência. A sensação de ter feito um trabalho bacana é maravilhosa.

O Prêmio Malofiej de Infografia tem dezenas de categorias, mas os jurados são extremamente rigorosos. Naquele ano, foram inscritos 1500 trabalhos de revistas e jornais de todo o mundo, nas categorias impressas e online. No entanto, foram dadas apenas 12 medalhas de ouro.


Além da Mundo Estranho, faturaram o prêmio máximo: Expresso, de Portugal, The New York Times (duas vezes), San Jose Mercury News, National Geographic Magazine e The Oregonian, dos Estados Unidos; Dagens Nyheter, da Suécia; The Guardian, da Inglaterra; Welt am Sonntag, da Alemanha; e o Clarín (duas vezes), da Argentina.

Ao todo, foram distribuídas 95 medalhas: 12 de ouro, 22 de prata e 61 de bronze. A Mundo Estranho ainda faturou um bronze na categoria Infográfico Animado, mostrando o que acontece numa turbulência dentro de um avião.

Ou seja, na época, foi uma festa na redação da Mundo Estranho por essa conquista em nível mundial. E eu vibrei muito. Afinal, foi como fazer um golaço na final de um campeonato mundial e ainda levantar a taça!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O mapa dos quadrinhos na Bienal do Livro

No dia 19 de agosto (domingo), acaba a 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e, como acontece em todas as edições, tem boas novidades de quadrinhos no evento.

Como já passeei bastante pela Bienal e sei que nem todo mundo terá tempo pra isso, resolvi fazer um mapa dos lançamentos (com rápidos comentários) e, claro, dos estandes onde eles podem ser encontrados.

Ah, importante: todos os links no texto levam para notícias ou resenhas das obras citadas no Universo HQ.

Então, vamos lá.

Pinóquio

Um dos melhores quadrinhos publicados no Brasil em 2012. Escrito e desenhado pelo francês Winshluss, ganhou o prêmio de melhor álbum no Festival de Angoulême de 2009, na França.

Traz uma versão underground do clássico de Carlo Collodi, com um desenho e uma narrativa fenomenais. Esqueça o Pinóquio tradicional! Simplesmente obrigatório.

O álbum é um lançamento da Globo Livros, que está no estande F30.

O Pequeno Príncipe

Vale demais a pena conferir os seis primeiros álbuns desta coleção baseada na série de animação feita pela televisão francesa, com aventuras do personagem criado por Antoine de Saint-Exupéry.


No total, serão 24 volumes e o primeiro lote a chegar ao Brasil vem com seis álbuns, todos com impressão caprichada e capa dura. O mais legal: em cada edição, um artista convidado faz uma HQ curta do Pequeno Príncipe; e o primeiro é “apenas” o Moebius.


E no estande da Manole, que publica a série pelo selo Amarilys, o material está em promoção. Estande N 60.

Habibi

Quem leu Retalhos, sabe que Craig Thompson é um excelente contador de histórias. Neste álbum, um calhamaço de 672 páginas, ele ratifica isso.

A saga mostra a saga da garota Dodola e do bebê Zam, dois escravos fugitivos que crescem juntos no deserto, em um navio naufragado na areia, e passam o tempo contando histórias.

Como o livro aborda a origem do islamismo e de suas tradições, vale atentar à caligrafia árabe que Thompson usou, devidamente reproduzida na edição brasileira pela competentíssima Lilian Mitsunaga. Um lançamento imperdível da Quadrinhos na Cia., que está no estande J 40.

Estórias gerais, Boulle e Bill – Ao ataque! e 20.000 léguas submarinas

A Nemo preparou três belos lançamentos pra Bienal. O primeiro é a edição definitiva de Estórias gerais (veja resenha da versão anterior clicando aqui), escrita por Wellington Srbek e desenhada pelo saudoso mestre Flavio Colin. O álbum, agora em formato maior e vários extras, traz uma das melhores HQs nacionais das últimas décadas.


Outra novidade vem da Europa: Boule e Bill, sucesso no Velho Continente desde que foi a série foi criada, em 1959, pelo belga Jean Roba, apresentando as histórias de um garotinho de dez anos e seu cachorro cocker spaniel. Hoje, a série (que tem 33 álbuns publicados, foi traduzida para 11 idiomas e já vendeu 25 milhões de exemplares) é produzida por Laurent Verron.

E o terceiro lançamento é a adaptação 20.000 léguas submarinas, com roteiro de João Marcos e arte de Will. A versão mira também os planos governamentais de incentivo à leitura.

A editora teve uma bela sacada de distribuir previews de "degustação" para os visitantes do evento. A Nemo integra o Grupo Editorial Autêntica, que está no estande L 78.

Cabeça Oca e Turma da Xaxado

É sempre muito bom quando uma editora tradicional passa a investir em quadrinhos. É o caso da Martin Claret. E o melhor é que a aposta é em obras nacionais.


Tanto o goiano Christie Queiroz, de Cabeça Oca, que está lançando três álbuns, quando o baiano Antonio Cedraz, da Turma do Xaxado, que estreia com dois livros, são bastante conhecidos em seus estados, mas produzem materiais que têm tudo para agradar leitores de todo o Brasil.


E, certamente, a editora deve trabalhar esses materiais com fins paradidáticos, junto a escolas e ao governo. E está corretíssima em fazer isso, pois ambos têm enorme potencial. A Martin Claret está no estande D 98.

Ouro da Casa, Chico Bento - 50 anos e Os Supremos 2


A Panini Comics tem lançamentos para todos os gostos. Para os fãs da Turma da Mônica, as novidades são o álbum Ouro da Casa, só com HQs e ilustrações dos funcionários da Mauricio de Sousa Produções (além de eu ser o editor da obra, também assino uma história como roteirista), em seus próprios estilos; e Chico Bento – 50 anos, uma coletânea com os grandes momentos do caipirinha que completou meio século de vida em 2011, mas cujo presente chega agora. E com um extra bem legal: a primeira aventura do Chico Moço, a versão adolescente do personagem.

Pros fãs de super-heróis, a grande pedida é o ótimo Os Supremos 2, escrito por Mark Millar e desenhado por Bryan Hitch. Ação, intriga e pancadaria em altas doses, com os Vingadores do universo Ultimate. Recomendadíssimo.

E tem mais lançamentos, como Wolverine - Noir, Os Novos Vingadores - Guerra civil, Biblioteca Histórica Marvel – Homem-Aranha – Volume 4 e Sandman – Edição Definitiva – Volume 3 e outros. Além disso, há centenas de revistas mensais e especiais mais antigos – boa chance para completar coleções. A Panini Comics está no estande I 30.

O Vira Lata, É um pássaro... e Lôcas – Maggie, a mecânica

Como é impraticável para editoras menores estarem na Bienal, em virtude do alto preço dos estandes, o ponto de encontro para os fãs de quadrinhos é a Comix, que sempre comercializa milhares de revistas e álbuns.


E lá é possível achar três novidades do mercado de quadrinhos. A primeira é O Vira Lata, da Peixe Grande, escrito por Paulo Garfunkel e desenhado por Libero Malavoglia. O livro reúne todas as histórias do personagem que teve sete revistas distribuídas no presídio do Carandiru, em São Paulo, entre 1993 e 2000. Um belo resgate do editor Toninho Mendes.

Da NewPop, a indicação é o ótimo álbum É um pássaro..., com roteiro de Steven T. Seagle (roteiro) e arte de Teddy Kristiansen, uma trama semiautobiográfica, que explora os vários significados do ícone Superman, relacionando-os à vida do autor.

Pra quem sente falta do universo de Love & Rockets, a pedida é Lôcas – Maggie, a mecânica, da Gal, álbum escrito e desenhado por Jaime Hernandez, que mostra o início das aventuras das amigas Maggie e Hoppey, em um mundo maluco cheio de romances confusos, dinossauros, super-heróis desmiolados, irmãos chatos, bilionários mulherengos e foguetes quebrados.

A Comix está no estande A 58.

Na Bienal ainda é possível achar quadrinhos - lançamentos e obras de anos anteriores - na Ática e Scipione (estande K 40), WMF Martins Fontes (L 60), Escala (D 30), Leya (H 80), SM (I 50), Ediouro (E 70), Tordesilhas (M 64), Luz e Vida (M 60), V&R (L 80), L&PM (K 90), Record (F 60), Saraiva (C 40) e outras.

E vale lembrar que quase todos os estandes oferecem descontos de, na média, 20%. Portanto, aproveite as dicas, pechinche e bom passeio.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Esses heroicos jornalistas sem ética

Pra inaugurar o blog, postei minha primeira matéria publicada sobre quadrinhos e prometi pra mim mesmo que colocaria outros artigos quando pudesse. Hoje, resgato um de 1991.

A página de abertura da matériaNo final de 1990, quando cursava o terceiro ano da faculdade de jornalismo (na Metodista, em São Bernardo do Campo/SP), eu tinha que fazer um trabalho para a disciplina de Ética Jornalística. Como o professor era quadrinhista, o Flávio Calazans, arrisquei: li o código de ética brasileiro da profissão e analisei alguns jornalistas das HQs segundo suas normas. E mostrei o quanto eles os infringiam.

Sobrou pra vários famosos: Clark Kent, Peter Parker, Tintim, Billy Batson, Donald, Peninha, Vic Sage (o Questão), Benevides Paixão (do Angeli), J. Jonah Jameson, Peter Sands (que escreveu a biografia não-autorizada de Lex Luthor) e outros. Mas havia também os jornalistas corretos, caso de Ben Urich, que preferiu não revelar a identidade do Demolidor (na época isso era um "furo") para não prejudicá-lo.

E a segunda páginaO Calazans deu uma nota alta e me sugeriu transformar aquilo numa matéria. Foi o que fiz. Então, no ano seguinte, com a velha cara-dura que Deus me deu, fui procurar "apenas" a Imprensa, revista especializada em jornalismo, na qual só escreviam feras. Mesmo trabalhando na área desde 1988, era um tiro arriscado. Mas deu certo!

A matéria Esses heroicos jornalistas sem ética foi publicada na Imprensa # 44, de abril de 1991, e gerou dois momentos engraçados.

O primeiro foi quando fui buscar meu exemplar. Assim que entrei na sala, o editor Gabriel Priolli fez uma cara esquisita. A primeira coisa que pensei foi que tinha saído alguma lambança na matéria, mas não. Ele estava lamentando o fato de ter colocado uma "mídia burra" na edição.

Explico: assim que se abria a revista, havia uma mídia de página dupla (segunda capa e página 3) anunciando o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo e, naquele ano, quem foi escolhido como garoto-propaganda? Clark Kent, que dizia: "Libere o superjornalista que existe em você.". Não teria nenhum problema se, algumas páginas pra frente, minha matéria não acabasse com o alter ego do Homem de Aço, ao mostrar as numerosas vezes que ele foi antiético! :-)

A tal mídia burraE o segundo episódio foi quando cheguei à aula e meus colegas de classe (os quais eu não havia avisado sobre a pauta) vieram me cumprimentar pelo artigo. Era uma manifestação sincera mesmo, até que minha professora (não citarei o nome), com cara de poucos amigos, exclamou: "Que absurdo!".

Quando perguntei qual o problema, ela reclamou que o meu crédito (que saiu assim: Sidney Gusman, 24 anos e três de profissão, é redator da Editora Globo e crítico de quadrinhos) não trazia a informação de que eu era aluno da Metodista...

Não deu pra aguentar! Caí na gargalhada e perguntei a ela se foi minha faculdade que foi à sede da revista me apresentar como seu aluno, para que eu conseguisse a matéria. O papo acabou ali.

Esta foi a primeira de uma série de matérias que eu viria a fazer com a intenção de falar sobre quadrinhos para públicos que não eram leitores de gibis. Com o tempo posto outras aqui no blog.

Figurinhas Super-Sidão

Quem já encontrou comigo em eventos de quadrinhos pelo Brasil sabe que, pelo menos um dia, eu apareço com uma camiseta ligada a quadrinhos.

Por causa disso, o desenhista e meu amigo Marcelo Braga (conheça o trabalho dele aqui), sempre com seu iPhone à mão, resolveu virar meu “fotógrafo”. Ele sempre sugere a pose, faz o retrato, coloca uns efeitos e posta no Instagram, com frases ligadas à pose em questão.

Eu, é claro, entro na brincadeira!

Segundo o Braga, são as “figurinhas Super-Sidão para colecionar”! Confira abaixo, com as respectivas legendas boladas pelo Braga.

Super-Homem, como vc tá velho! Na Rio Comicon.

"I'm vengeance, I'm the night", diz @SidneyGusman, The Dark Knight of FIQ.

The @SidneyGusman, o homem mais rápido da FIQ!

Sidão @Sidneygusman Cranicola en Porto. Criminalidade caiu 14% no fim de semana. Na Multiverso Comic Con.

E, pra fechar, uma sem "fantasia", mas que vale: é da visita que o Braga fez à Mauricio de Sousa Produções, devidamente ciceroneado por mim.

"E por hoje é só, pessoal". Valeu, @sidneygusman!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O dia em que caí, mas fiquei em pé


No dia 23 de julho, foi ao ar a minha participação no programa Quem Fica em Pé, comandado por José Luiz Datena, na TV Bandeirantes. Foi legal demais, especialmente pela torcida que tive a meu favor na internet, mesmo com todos sabendo que estava tudo gravado. E audiência foi excelente, segundo a produção.

O "barulho" começou com duas propagandas que a Band colocou no ar e que minha sobrinha gravou. Veja abaixo.





Ao contrário do que eu pensava antes de subir ao palco, fiquei, sim, bastante nervoso em alguns momentos. Quando errei a pergunta do ano do nascimento da Elis Regina, por ter entendido errado a dica do Datena, tremi na base, fiquei com a boca seca, travei e acabei errando uma que eu realmente sabia – a da biblioteca.

Ah, e se você não viu o programa, segue abaixo o vídeo na íntegra.


Mas este post tem outra razão. Dizer que, independentemente de ter caído bem antes do que previa, eu me diverti demais. Muito mesmo! Tanto que “bombei” a divulgação da hashtag #SidaoFicaEmPe pra todo mundo que me segue em redes sociais. E ela chegou, inclusive, a um impressionante primeiro lugar nos Trend Topics do Twitter do planeta (veja abaixo) por alguns minutos.


Eu queria ganhar os cem mil reais? Lógico! Mas tinha que ser divertido!

Especialmente por causa de uma carta que recebi da minha esposa no dia em que gravei, pouco antes de irmos à sede da TV Bandeirantes, e que divido aqui com todos. Era pra eu ter lido a mensagem no ar, com o Datena, mas fiquei nervoso e acabei esquecendo.

Por isso, apesar de nunca expor minha família em redes sociais, desta vez abri uma exceção (com a anuência da “patroa”). Para mostrar por que valorizo tanto minha família e por que decidi que o objetivo principal seria divertir – a mim e a todos que vissem o programa. Se viessem os cem mil reais, melhor.

Quando caí no buraco (com estilo, hein? Só faltou gritar “Para baixo e avante” – rsrs), assisti na TV à reação do Jucilei e, de verdade, me emocionei demais. Depois, soube que ele estava numa situação financeira complicada e que os seis mil reais vão ajudá-lo bastante. Que bom, de coração!

Minha esposa, naquele momento, me disse (sabiamente, pra variar) que tudo aquilo tinha uma razão de ser e que, ali, todos nós aprendemos a diferença de QUERER e PRECISAR.

Sabe, tem uma frase que eu adoro: “Qualquer pessoa, por mais inteligente que seja, é ignorante em alguma coisa”. E deu pra ver que eu fugia das aulas de catecismo, né? :-D Mas, falando sério, aprendi demais ao participar do programa. Daquelas típicas “lições de vida”. E essas são as melhores.

Afinal, são elas que te fazer ficar em pé! Sempre!

Participação em (vários) eventos

Nunca palestrei tanto sobre meu trabalho quanto nos últimos três anos. E o mais legal é que foi sobre variados temas: o meu trabalho na Mauricio de Sousa Produções, o mercado editorial de quadrinhos no Brasil e no mundo, o bom uso do Twitter como ferramenta de divulgação, jornalismo e quadrinhos etc.

Como este blog é recente, seguem fotos de algumas dessas participações e, caso se interesse em me contratar para palestras, é só escrever para o e-mail divulgado na coluna ao lado.

Palestra na Gibicon, em Curitiba/PR, em julho de 2011 (foto do Coletivo Ponto 50)


Palestra na HQcon, em Florianópolis/SC, em agosto de 2011
(foto de Paulo Back)


Palestra no FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte/MG, em novembro de 2011 (foto de Larissa Rodrim)


Palestra na Nerdcon, em Blumenau/SC, em março de 2012
(foto de Chico Lam)


Palestra na Muiraquicon, em Belém/PA, em maio de 2012
(foto de Matheus Aguiar)


Palestra na Feira do Livro, em Canoas/RS, em junho de 2012
(foto de Vanessa Machado de Rosa)



Palestra (na íntegra) na Multiverso Comicon, em Porto Alegre/RS,
em junho de 2012 (vídeo gravado por MrVideoGame01)


Palestra no SANA, em Fortaleza/CE, em julho de 2012
(foto de divulgação do evento)