quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O (doce) gostinho de se sentir campeão do mundo

Não, este não é um post sobre esportes. Estou resgatando mais uma história de minha carreira jornalística, que eu havia postado em 2007, no Blog do Universo HQ.

No dia 30 de março de 2007, eu estava na minha sala na Mauricio de Sousa Produções, quando tocou o telefone. Era o Fábio Volpe, então redator-chefe da Mundo Estranho, revista da Abril da qual sou colaborador desde 2004 - além de ter feito muitas matérias, cobria férias dos editores e, ainda hoje, edito e escrevo especiais.

Como na época estava editando um especial de Harry Potter, pensei que era alguma coisa ligada a isso. Mas não. O Volpe falou assim: “Sidão, tenho uma boa notícia: pode acrescentar no seu currículo uma medalha de ouro no Malofiej! A matéria de sexo ganhou!”.

Quase caí pra trás! Explicando: o Malofiej é o mais importante prêmio de infografia do planeta, que rola na Espanha. Todos os anos centenas de veículos de comunicação inscrevem trabalhos em busca dessa cobiçada conquista.

As imagens neste post mostram as seis páginas da matéria (que foi escrita por mim, ilustrada pelo Carlo Giovani, teve design da Renata Steffen e fotos do Manuel Nogueira), pra quem quiser conferir. A sacada de ilustrar tudo como se fossem tatuagens sobre os corpos foi da Renata e o Carlo mandou bem demais!

O mais legal de tudo, é que foi uma matéria numa área (saúde) na qual escrevi poucas vezes nos meus mais de 20 anos de jornalismo. Lembro quando o Volpe me ligou perguntando se eu topava.

Eu teria que explicar: como se formam os espermatozoides, por que esfregar o pênis dá prazer, como o pênis fica duro, como a vagina fica lubrificada para a transa e o que acontece no corpo durante o orgasmo.


Alguém pode achar que isso é baba, que tem em qualquer livro, mas não é por aí. Quem já leu a Mundo Estranho conhece o perfil da revista: os textos têm que cavar coisas inusitadas e diferentes e explicar tudo de forma clara, especialmente quando se trata de um artigo com infográficos. E era a matéria de capa! Um desafio e tanto, que, claro, topei!

Falei com vários médicos e sexólogas, pesquisei um bocado em livros e na net, enchi o saco dos entrevistados até ter a certeza de que estava transmitindo todas as informações de forma precisa e, principalmente, clara (afinal, o público da revista é adolescente). E o resultado valeu a pena!

Quando ministro palestras ou cursos, sempre toco no ponto de que, hoje, tem jornalista que esqueceu (ou não sabe) a importância de uma boa pesquisa, de uma apuração detalhada. E isso vale para qualquer profissional, pra um iniciante ou mesmo alguém com muitos anos de janela.

Faço isso até quando faço algum artigo sobre quadrinhos, (que, modéstia à parte, conheço bastante); que dirá com outros assuntos a respeito dos quais não escrevo com frequência. A sensação de ter feito um trabalho bacana é maravilhosa.

O Prêmio Malofiej de Infografia tem dezenas de categorias, mas os jurados são extremamente rigorosos. Naquele ano, foram inscritos 1500 trabalhos de revistas e jornais de todo o mundo, nas categorias impressas e online. No entanto, foram dadas apenas 12 medalhas de ouro.


Além da Mundo Estranho, faturaram o prêmio máximo: Expresso, de Portugal, The New York Times (duas vezes), San Jose Mercury News, National Geographic Magazine e The Oregonian, dos Estados Unidos; Dagens Nyheter, da Suécia; The Guardian, da Inglaterra; Welt am Sonntag, da Alemanha; e o Clarín (duas vezes), da Argentina.

Ao todo, foram distribuídas 95 medalhas: 12 de ouro, 22 de prata e 61 de bronze. A Mundo Estranho ainda faturou um bronze na categoria Infográfico Animado, mostrando o que acontece numa turbulência dentro de um avião.

Ou seja, na época, foi uma festa na redação da Mundo Estranho por essa conquista em nível mundial. E eu vibrei muito. Afinal, foi como fazer um golaço na final de um campeonato mundial e ainda levantar a taça!

7 comentários:

  1. Muito bacana, Sidão! Sempre é bom ter o trabalho reconhecido. Parabéns, você merece!

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  2. Poxa que legal isso, lembro dessa matéria e acho muito interessante o campo do jornalismo (apesar de ser um, mas não ter vocação para atuar de fato kkk) é essa diversificada que se pode dar nos próprios trabalhos. Claro que falar do que conhecemos e gostamos sempre é mais legal, mas a experiencia de trabalhar com algo bem diferente não tem preço.

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  3. Parabéns, Sidney! Trabalho bem feito merece reconhecimento. Grande abraço,

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  4. Ah, meu filho! Eu já acompanha seu trabalho! Lembro de sua reação (claro, a parte que ce comunicou). Mas fica aqui os meus parabéns (de novo). Forte abraço!

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  5. Que legal, parabéns! ...sobre pesquisa, em sua palestra você cita o caso da menina que lhe consultou perguntando sobre o matemático Oswald Souza (kkkk). Exemplifica bem a diferença entre uma simples consulta e uma pesquisa mais profunda com mais de uma fonte.
    Este premio (mesmo de 2007)sublinha o grande profissional que tu es.

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