quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um pai, um filho e os quadrinhos


Hoje, completo 46 anos. Este é o meu segundo aniversário sem o meu pai, o “seu” Domingos. Em 2010, uma semana antes de eu fazer 44, ele partiu pro andar de cima, depois de lutar um bocado pela vida.

A saudade do velho Mingo ainda machuca, tanto que, em 2011, na HQ Con, em Florianópolis, eu estava palestrando em pleno Dia dos Pais e, quando me lembrei dele, não consegui me controlar e caí no choro – e ocorreu o mesmo em Belém, este ano. Mas ele, que me ensinou tantas coisas em vida, continuou suas lições até na hora de se despedir.

Nunca imaginei, por exemplo, que teria coragem de dizer pro meu pai, no leito de um hospital (após mais de um ano entre idas e vindas da UTI), pra que “descansasse”. Era egoísmo demais de minha parte querer tê-lo mais tempo do meu lado, à custa de tanto sofrimento.

Meu pai era meu ídolo. Tive um monte de diferenças com ele na juventude? Claro, como ocorre com praticamente todo mundo, mas eu nutria uma admiração gigante por ele. Um cara que só cursou até o quarto ano do primário, mas sempre nos proporcionou um bom colégio e fez questão que seus filhos fizessem faculdade, para “ter um futuro melhor”.

Ele me colocou pra trabalhar aos 14 anos, e hoje agradeço demais por isso. Trabalhava na firma dele, é verdade, mas comecei (com muito orgulho) como office-boy, pra aprender o caminho das pedras.

E é dessa época a recordação, muito viva ainda, sobre a qual escrevo agora; e que tem ligação com os quadrinhos. Assim que comecei a ganhar meu próprio dinheiro, gastava bastante em HQs – especialmente nos formatinhos de super-heróis da Abril. Por isso, não foram poucas as vezes em que ele abriu a porta do quarto que eu dividia com meu irmão mais novo e esbravejou, com seu jeitão espanhol (na verdade, meus avós eram espanhóis): “Sidney, o que esta merda vai te dar?”.

Aquilo me enfurecia, evidente. Algumas discussões aconteceram, mas, felizmente, ele nunca passou da promessa de dar fim às minhas revistas.

O tempo passou e, depois de ter me formado em Educação Física, passei a cursar jornalismo (sempre pagando do próprio bolso a faculdade). Após dois anos batendo cabeça como repórter esportivo de rádio (enquanto ainda trabalhava com meu pai), veio a oportunidade de transformar a minha paixão pelos quadrinhos numa oportunidade de emprego, como contei no post inaugural deste blog.

Lembro bem da cara do meu pai quando lhe contei que havia conseguido minha primeira matéria: era um misto de surpresa e orgulho. Quando o texto foi publicado, ele, com seu jeito durão de ser, me parabenizou, mas era nítido que ainda não entendia bem o que aquilo representava pra mim.

Quando começaram a sair matérias minhas (ainda como free-lance) em jornais que ele lia sempre (Jornal da Tarde, Folha da Tarde e Estado de S.Paulo), aí, sim, a coisa mudou.

Um belo dia, o “seu” Mingo me chamou e disse: “Filho, eu não entendo nada do que você escreve, mas você escreve bem pra caramba”. Como aquilo me fez bem! Não pelo elogio ou pelo reconhecimento, mas porque meu pai, naquele momento, pressentia que eu não queria continuar o negócio (de tratores e peças usadas) que ele tocava havia quase 40 anos; que minha ideia era voar com minhas próprias “asas”.

E foi o que aconteceu. Veio o primeiro emprego na área de quadrinhos, na Editora Globo, meu pai foi "amolecendo" com a idade e passou a curtir, com orgulho indisfarçável, todas as minhas conquistas, matérias, prêmios, empregos novos... E o resto é história.

Mas há um episódio que me marcou demais. Dezesseis anos depois, em 2006, na Bienal do Livro de São Paulo, eu estava autografando, junto com o Mauricio de Sousa, o livro Mauricio - Quadrinho a Quadrinho, da Globo. Foi quando vi aquela inconfundível cabeleira branca se aproximando por trás de dezenas de pessoas que estavam em frente ao estande.

Imediatamente me levantei e vi meu pai (que, àquela altura, já não tinha o mesmo vigor físico de antes, devido a pequenas isquemias cerebrais) e minha mãe chorando copiosamente. Aquilo me fez desmoronar, na frente de todo mundo. Meu velho me abraçou e, ao meu ouvido, ameaçou um pedido de desculpas.

Enquanto o Mauricio dizia pra ele, com o livro nas mãos: "Viu que coisa linda o seu filho fez?", pedi ao “seu” Mingo que não se desculpasse. Afinal, eu já era pai (na acepção da palavra, como ele foi pra mim) e sabia o quanto a gente se preocupa com o futuro dos filhos. E, distante do ímpeto juvenil de outrora, eu agora compreendia que ele não teve, pela falta de estudo e de informação, a oportunidade de saber que os quadrinhos podiam, sim, abrir muitas portas pro filho mais velho dele. Bastava eu saber aproveitar. Que bom que herdei não apenas a determinação dele, mas também sua teimosia.

Depois que me casei, em todo dia 29 de agosto, o telefone tocava por volta das 7 horas da manhã. Do outro lado da linha, meu pai cantarolava o começo de Parabéns a você, com a voz embargada. Aí, ele brincava com a idade que eu estava completando, pra não chorarmos os dois. Mas, naquele dia de março de 2006, na Bienal, ele nem procurou se conter. Ainda bem, “seu” Domingos, ainda bem.

49 comentários:

  1. Texto lindo demais, Sidão!
    E certeza que seu pai continua olhando orgulhoso pra todas as conquistas do filho e, por tabela, dele próprio.

    Feliz aniversário.

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  2. História (post, sua vida, seu pai) sensacional. Quase chorei aqui. Muito linda. Parabéns pela sua teimosia, coragem, parabéns ao seu "Mingo" pelo apoio natural e sincero.

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  3. Emocionante, Sidão. Certamente, "seu" Domingos está em uma belo lugar olhando por você, orgulhoso de ter criado um filho tão especial.
    Parabéns.

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  4. Ai que nó na garganta, Sidão. Um texto maravilhoso.... E eu chorei com vc em Floripa, na palestra. Um grande beijo. Um feliz aniversário bem cheio de abraços e beijinhos e docinhos ao lado de toda a sua família. Que grande cara vc é. E agora entendi o porquê. Um beijo! Ju.

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  5. Sidão. Como no dia da HQCON, chorei lendo seu texto. Perdi o meu herói com 14 anos e é impossível não se identificar e se emocionar. Feliz aniversário (de novo) e parabéns pelo "seu" Domingos. Com certeza, MUITO do seu caráter (que conquista a todos) vem dele. :D

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  6. Muito bonita essa história, tenho certeza de que se emocionou muito ao escrevê-la. Também perdi meu pai há dois anos, sei como é difícil esses momentos de saudades.
    Mas hoje é dia de comemorar. Parabéns pelo seu aniversário. Grande Abraço!

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  7. Que bonito esse texto Sidney. Algumas vezes penso que é isso a eternidade que falam, de estar vivo dentro da gente, pela lembrança.

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  8. Linda história, Sidão. E parabéns novamente, camarada.

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  9. Cara, eu queria escrever alguma coisa sobre esse post. Mas, por mais que eu me considere íntimo das palavras, não consegui expressar num agrupamento de letras o que senti ao ler esse texto emocionante.
    Vida longa, amigão!

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  10. Linda historia.....lindo texto...e um ótimo exemplo de luta, persistência, família e amizade pai-filho!
    Parabéns Sidão....e pensar que quando tive a oportunidade de te conhecer pessoalmente foi justamente dias depois do descanso do seu pai(quando fui buscar meu MSP)...fiquei tão sem jeito que nem consegui ter uma conversa com você...mas fiquei muito feliz em conhecer o grande amigo dos tuiters e a grande pessoa que você é...não importa onde seu pai esteja hoje, com certeza está muito orgulhoso!...Parabéns e muitas felicidades!!

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  11. Eu imagino o quanto tenha se emocioado ao escrever esta linda história. Seu pai, com toda a certeza, sente muito orgulho de você.

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  12. Cako, Marcio, Ramone, Malta, Christian, Vicente, Diego, Ju, Kio, Fagner e Thiago, valeu demais pelas palavras.

    Só eu sei o quanto chorei escrevendo essas linhas. Mas era algo que eu precisava contar.

    Abraço

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    1. Estou sozinho em casa. Acabei de levar meu filho para a escola e estou pronto para ir para o jornal escrever sobre esportes e lamentar minha falta de sorte por não poder escrever sobre o que realmente quero e gosto. Não tenho vergonha de dizer que estou chorando como criança agora. Sua história não só me emocionou como me identifico em quase todos os aspectos. Meu pai ainda está comigo e passei (passo) pela mesma situação em relação aos quadrinhos. Vou trabalhar e quando ele chegar mais tarde no meu trabalho só para conversar fiado e me pedir para pagar um café na padaria vou me lembrar dessa história! Vle Sidão e Feliz Aniversário de novo. :)

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  13. Muito bacana a tua história Sidão. Bacana demais. Ela me faz pensar que finais felizes, se existem, são assim, longos, se espalhando em conquistas e diversos momentos significativos pela vida inteira. Show.

    Grande abraço

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  14. Sidão,
    De um pai para outro – muito obrigado por compartilhar essas emoções tão bonitas e sinceras. Tenho certeza que o Seu Mingo está muito orgulhoso de você.

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  15. Yabu, eu me devia este texto. E ao meu pai também. Sei, de alguma forma, que ele sabe o que está acontecendo.

    Liber, valeu pelas palavras.

    Cassio, imagine o que chorei ao escrever essas linhas? Mas é uma saudade que, hoje, é mais alegre.

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  16. Muito bom Sidão, não tem como não ficar sensibilizado pelas suas palavras. Viva o seu Mingo!

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  17. Sabe o que pensei quando li seu texto? Seu pai com um sorrisão enorme e cantarolando parabéns pra você...São histórias assim, de vida, garra, esforço e superação, que fazem a gente olhar pra frente e ver que vale a pena lutar pelo que gosta. Parabéns pelo seu aniversário,pelo seu texto, pelo seu trabalho e vamos que vamos que não podemos parar. Um abraço.

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  18. Eugenio, e eu chorei aqui lendo seu comentário. Muito grato! :-)

    Valeu, Samuel!

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  19. É triste, mas infelizmente é o caminho natural. O maior defeito dos pais é não serem eternos, mas é o nosso maior defeito também.

    Pelo menos seu "Mingo" foi na paz de ter cumprido a sua tarefa perante sua família, e ter deixado para o resto de nós um filho com muitas ideias na cabeça e muita disposição para arrancá-las de lá.

    Parabéns pelo aniversário, Sidão. Não vou floodar seu Twitter como deve ter acontecido hoje, mas estamos sempre de olho aberto por aqui.

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  20. Fex, não me importo, pois é uma prova do carinho que as pessoas têm por mim. A maioria das pessoas que me segue no Twitter ou no Facebook nem me conhece, mas ainda assim se dá ao trabalho de me escrever num dia como hoje.

    Isso não tem preço. Vale muito pra mim.

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  21. Não sei o que escrever aqui que não sido dito acima...
    Só sei que lágrimas correm dos meus olhos.
    Tamanhas coincidências. Tamanha identificação.
    Texto lindo e hoje no seu aniversário quem ganhou o presente foi seu Domingos.
    Ele deve estar feliz e orgulhoso aonde ele estiver.
    E pela terceira vez hoje, parabéns.

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  22. meu querido Sidão! meus parabéns a vc queridão. tudo de ótimo! muito sucesso e saúde pra ti. e poxa vida, tirou-me lágrimas teu texto. realmente o seu "Mingão" foi um grande cara, q fez de ti outro grande cara. sem sombra de dúvidas vc o encheu de orgulho. Fiquei sensibilizado com a forma q ele lhe dava os parabéns, q é algo q a anos faço com os meus queridos, e q a um tempo q me dizem ficar esperando pela musiquinha cantarolada ao fone...
    tudo de ótimo pra ti!

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  23. Sidney,

    Primeiro de tudo desejo muitas alegrias pelo seu aniversário.

    Acho que já devo ter lhe dito isso, mas acredito cegamente boa parte do que somos é fruto daquilo que nossos pais nos ensinam.

    Acompanho seu trabalho faz tempo, e sei que seu caráter, seriedade e idoneidade estão sempre representadas nos seus textos, seja em que mídia for.

    Posto isso, acho que dá para afirmar que isso reflete a educação dada pelo "seu" Domingos.

    Hoje como filho e pai entendo perfeitamente suas palavras e a história aqui representada.

    Vou guardar este texto com carinho, pois foi uma das mais bem escritas e sinceras manifestações de amor e motivação que já li.

    Parabéns.

    Grande Abraço.

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  24. Porra Sidão. Para com isso. Me fez chorar copiosamente...
    Meu Pai foi pro Céu em 2004, mas o sentimento de perda ainda é o mesmo do da época. Meu pai não me viu alcançar relativo sucesso em meu trabalho, como mhoje, mas gosto de pensar que em algum lugar ele está feliz por seu filho ter sabido se virar bem. parabéns pelo post. Muito legal.
    Andre Bufrem

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  25. Lindo post! Sidney, parabéns pelo trabalho e pela linda família.

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  26. Sidão, Quando terminei de ler o seu texto estava com os olhos cheios d´água. Minha história de vida é um pouco parecido com a sua. a diferença é que vc viveu mais tempo com o seu pai. eu perdi o meu aos 9 anos. Todas as vezes que eu assito ao filme mInha Vida choro muito. abç
    Jota A

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  27. Li o texto com lágrimas nos olhos! Parabéns pelo aniversário e obrigada por ser essa pessoa incrível! Um abração pra você e pra linda família! Sou tua fã!

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  28. Que texto maravilhoso e emocionante, Sidney! É de dar um nó, bem dado, na garganta. Um presente que você nos dá no dia do seu aniversário...quem te conhece sabe que você escreveu com o coração. Que presente é ter você como um amigo precioso e querido, não só meu, mas da minha família, daqueles que moram no coração. Parabéns!!

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  29. Eu tenho um sério problema quando vejo algum filme, leio algum texto, ou qualquer coisa com relacionamento de pai e filho. Sempre me emociono... e esse seu texto me fez chorar aqui, Sidão.
    Sensacional.

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  30. João, você deve se lembrar que, em 2010, às vésperas do lançamento do MSP + 50, eu te falei que achava que meu pai não resistiria àquela noite, né? Como foi duro...

    Hoje, sei que ele está orgulhoso demais do que o filho dele está colhendo.

    Makoto, Wagninho, Ester (querida), Raquel, Jota, Guilher, Kris, Otavio e André, este texto foi escrito quase como uma "terapia" pra mim. Eu precisava "colocá-lo pra fora". E não havia data mais propícia.

    Abraço a todos

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  31. é isso aí Sidão, ele foi e será sempre a nossa referência de homem do bem nas nossas vidas, saudades lógico que temos e como você disse não podíamos ser egoístas ao ponto de pedir que ficasse um "pouco mais", ele cumpriu muito bem a missão dele criou 4 lindos filhos e viu todos os 9 netos nascerem e sabia que com certeza o "legado" dele seria transmitido como está ocorrendo.
    Parabens de novo com muito orgulho de poder falar sou seu irmão e estaremos juntos pro resto de nossas vidas
    um beijo enorme
    Marcelo Gusman

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  32. Fiquei imaginando a cena da Bienal de 2006... meus olhos ficaram marejados.

    É bastante comum os pais não acreditarem que os quadrinhos tragam um futuro promissor aos filhos. Mas eles não sabem o quão persistente nós somos. Na verdade, miramo-nos nos exemplos que os quadrinhos nos deram; nos personagens que drilham as adversidades mais bizarras para fazer valer a força do bem e a justiça.

    Você fez seu caminho e chegou ao topo.

    Muito bonito o "Seu" Domingos ter demonstrado o quão orgulhoso estava de você. E mais ainda o seu gesto em dizer que ele não precisava se desculpar. Aquele choro feliz valeu por tudo.

    Faz muito bem pra gente verbalizar um sentimento, uma saudade. Obrigada por compartilhar suas lembranças conosco, fazendo da ausência de seu pai uma presença boa em seu natalício.

    Que esse ciclo que se inicia hoje seja repleto de saúde, paz e boas histórias para você.

    Parabéns, amigo!

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  33. Perdi meu "velho" em 1994. Eu estava com 25 e ele com 72. Assim como tu, também comecei a trabalhar aos 14 anos num escritório de engenharia de um ex-aluno do meu pai, que era um conhecido professor de matemática, para começar a aprender a desenhar. Depois do falecimento dele, sempre me perguntava se o choro pela sua morte era um egoísmo meu pela falta que EU sentia dele, ou se eu queria que ele continuasse a viver, para que ELE curtisse mais a vida e os prazeres que ela proporciona. A medida que eu fui ficando mais maduro (envelhecendo na verdade! Hoje estou com 44 anos...) e graças ao meu trabalho, adquirindo muitos bens que ele não pode me dar e nem possuía, cheguei a conclusão que a minha tristeza era porque eu gostaria que ELE pudesse curtir tudo aquilo, ao meu lado é claro! Apesar de ser um pai já meio "coroa", espero agora poder durar bastante tempo, para curtir tudo isso com o meu filho Thomaz de dois anos!
    Obrigado Sidão por esse texto e por fazer eu lembrar do meu velho e maravilhoso pai!

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  34. Parabéns Sidney, emocionante ler esta história de duas pessoas iluminadas. Espero um dia ter essa grandeza como pai.
    Continue por muitos anos inspirando novas gerações como eu e meus filhos.
    Um grande abraço.

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  35. Meu querido, escrevi aqui pela manhã e não sei porque não publicou...
    Li o texto com lágrimas nos olhos,que lindo! Lembrei que o meu velho também me ligava às 7 da manhã no dia do aniversário. Na Bienal 2006, eu estava lá quando a emoção "bateu forte"! E lembrei-me com imenso amor do orgulho que ele sentia em ter os 4 filhos formados em universidade... Mas, a maior herança ele nos deixou e eu não preciso repetir o que é...
    Parabéns, querido irmão! Pelos 46 anos que serão abençoados junto à sua linda família e pela pessoa maravilhosa que você é! Beijos, Simone

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  36. Meus irmãos Marcelo e Simone sabem bem o quanto este texto é carregado de verdade e amor.

    Lionel, Milena e Márcio, muito grato pelas palavras.

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  37. Me emocionei, como muitos aqui, ao ler seu texto. Poderia ser pelo fato de que estou separada do meu pai no momento, e que a saudade bate forte, e que talvez algo assim tenha me deixado fragilizada. Mas me emociono pela maneira bela como você descreveu a sua relação que você tinha com seu pai.

    São essas recordações que a gente guarda conosco que mantém viva a imagem de nossos pais. Sorri quando você falou que o seu pai falava "Sidney, o que esta merda vai te dar?", pois quando eu morava com meu pai era semelhante, ele entrava no meu quarto e dizia: "Logo você não terá mais lugar para entuchar essas coisas, você gasta muito com isso!". E isso me aborrecia um tanto. Após ler, bateu o sentimento: "poxa, pai, te amo tanto, preciso falar com você"... vou ligar para ele agora mesmo.

    Obrigada, Sidney, por tamanha sensibilidade em palavras tão lindas.

    Desejo todo amor e felicidade que você merece. Parabéns (um pouco atrasado) de uma grande admiradora do seu trabalho e da pessoa que você é!

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  38. Andhora, pelos comentários que recebi aqui e nas redes sociais, uma das coisas mais legais que este post suscitou foi fazer filhos ligarem ou passarem o dia com seus pais. E saber disso me fez um bem danado. :-)

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  39. Incrível o texto Sidão! Chorei aqui, nunca consigo me controlar quando leio algo verdadeiro assim!

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  40. Parabéns pelo belo texto, Sid... infelizmente as pessoas que amamos partem, mas ficam as lembranças dos ensinamentos e as recordações dos bons momentos que passamos junto a elas..

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  41. Sidney, como é bacana ler sua história e perceber que não estou sozinho.
    Comecei a ler HQs aos 12 anos. Após uma tentativa frustrada com uma Grandes Heróis Marvel de X-MEN VS DRACULA, meu amigo Paulo Neto me empurrou A QUEDA DE MURDOCK em um formatinho encadernado da Abril e disse: "Se você não gostar disso, aí sim, realmente você pode dizer que não gosta de quadrinhos". Nunca tinha lido uma história do Demolidor e me apaixonei de cara. Comprei uma edição para mim e reli dezenas de vezes. Aos 14, também comecei a trabalhar na firma do meu pai para sustentar o "vício". Mas ao invés de office-boy, comecei como atendente de balcão de padaria.
    Terminei o segundo grau, fiquei alguns anos sem estudar até que o gosto também pelo cinema me levou ao jornalismo. Sob a batuta do Carlos Quintão (na época professor da PUC), Daniel Werneck e Ricardo Poeira, comecei A Galáxia ainda na faculdade por causa das famigeradas horas de estágio. Um freela para O Tempo aqui, outro acolá... acabei voltando às raízes após a morte do meu pai. Ainda fugi para o www.cinemaemcena.com.br durante um ano e meio, mas hoje sou padeiro em tempo integral com duas lojas que, felizmente, vão muito bem, além das franquias.
    Os cruzamentos da vida me levaram por outras estradas que não me permitiram perseguir meus então sonhos. Por isso invejo tanto, no bom sentido, caras como você e o Vitor Cafaggi (que conheci anos atrás ao buscar os pacotes semanais de revistas importadas na Leitura aqui em BH, o famoso Hot Line da Devir). Pessoas que meteram as caras e correram atrás para não apenas trabalhar, mas para viver aquilo o que amam. A vida é boa. E o sonho se transformou em sonho de padaria mesmo.
    Um grande abraço do seu distante admirador, Heitor Valadão.

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  42. Muito grato pelos comentários de todos. Legal demais ver quantas histórias parecidas com a minha existem. Abraço a todos

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  43. Sidão, sem palavras. Lindo texto.
    Meus pais até hoje na data do meu aniversário, cantam os dois juntos, Parabéns a você, semelhante ao que seu pai fazia. Você é demais. Parabéns pela sua história, luta e conquistas. Abraço de alguém que te admira e mesmo que virtual, te considero um amigo de muito anos.

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  44. Chorando aqui, lembrei do meu pai.

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  45. Sidão!Pesquisando sobre você, para uma matéria, cai neste post. Já conhecia o blog e também havia ouvido essa história com os seus pais no Confins do Universo... Me emocionei mais uma vez ao lê-la aqui, agora. Que história bonita, caro Sidão. Que coisa linda! Parabéns, saúde, sucesso e muitos quadrinhos sempre, sempre! Você é uma fonte de inspiração constante. PS: Esse blog é um tesouro! Aida mais neste mundo cada vez mais audiovisual no qual vivemos. ;-)

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