Vamos lá: durante muitos anos, fui o responsável pela lista dos melhores quadrinhos do ano do Universo HQ, site do qual sou editor-chefe. Em 2012, isso mudou porque a minha atuação como editor na Mauricio de Sousa Produções aumentou e ficaria complicado eleger (ou não) obras nas quais trabalhei diretamente. A saída, então, foi mudar a forma como a relação era formada – para entender, clique aqui.
Mas, em 2013, decidi rever a minha posição. Eu, seguramente, leio 95% dos álbuns de quadrinhos (independentemente do gênero) lançados a cada ano, e muita gente gosta das indicações que faço no Instagram, Twitter e Facebook, quando curto esta ou aquela HQ. Além disso, é um barato ver quantas pessoas correm atrás desta ou daquela obra de determinado autor após eu fazer um #DicaHQ sobre ela.
Por isso, retomei a minha lista de melhores do ano. Ela é bastante eclética, com representantes de diversos gêneros, como você verá abaixo, mas tem ressalvas.
Evidentemente, por razões éticas, ficaram de fora as duas Graphics MSP que editei em 2013: Bidu – Caminhos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, e Astronauta – Singularidade, de Danilo Beyruth (com cores de Cris Peter). Para minha indisfarçável alegria, admito, elas apareceram em várias relações de melhores de 2014 feitas em sites e blogs na internet; então não precisam figurar nesta. E esse critério será seguido enquanto eu fizer este rol.
Assim, segue a relação das melhores HQs publicadas em 2014, na minha opinião, ranqueadas e em ordem decrescente. Só considerei obras inéditas, e todas (quando possível) seguem com um rápido comentário meu e com links para resenhas ou notícias no Universo HQ, para quem quiser saber mais sobre elas. E algo que comemorei silenciosamente: somando indicados e menções honrosas, são 23 HQs produzidas aqui!
20) O colhedor de raios (independente)
Tenho um fraco por tramas que explorem bem a relação de pai e filho. E esta, de Shun Izumi, Benson Chin e Breno Ferreira, faz isso com muita categoria, sem usar nenhum balão de texto. Merece ser conhecida!
19) Sweet Tooth – Depois do Apocalipse – Volume 6 – Jogo selvagem (Panini)
O final da saga do garoto Gus e do truculento Jepperd teve um desfecho à altura da ótima série assinada por Jeff Lemire. E ponto pra Panini, que publicou os seis encadernados em praticamente um ano e meio.
O final da saga do garoto Gus e do truculento Jepperd teve um desfecho à altura da ótima série assinada por Jeff Lemire. E ponto pra Panini, que publicou os seis encadernados em praticamente um ano e meio.
18) Zero Point (HQM)
Uma grata surpresa do argentino radicado no Brasil Agustin Graham Nakamura. Uma trama sobre mafiosos e assassinos de aluguel, com boas reviravoltas e personagens cativantes. Tudo numa linda arte em estilo mangá.
Uma grata surpresa do argentino radicado no Brasil Agustin Graham Nakamura. Uma trama sobre mafiosos e assassinos de aluguel, com boas reviravoltas e personagens cativantes. Tudo numa linda arte em estilo mangá.
17) Yeshuah – Onde tudo está (Devir)
Enfim saiu o álbum (o anterior foi lançado em 2010) que fecha a trilogia desse ousado projeto de Laudo Ferreira, com arte-final de Omar Viñole: contar de um ponto de vista mais humano a vida de Jesus Cristo. Um desfecho com chave de ouro.
Enfim saiu o álbum (o anterior foi lançado em 2010) que fecha a trilogia desse ousado projeto de Laudo Ferreira, com arte-final de Omar Viñole: contar de um ponto de vista mais humano a vida de Jesus Cristo. Um desfecho com chave de ouro.
16) Armandinho – Três (independente)
Pra mim, a melhor tira brasileira da atualidade. O catarinense Alexandre Beck tem na internet um séquito de fãs e, mesmo assediado por editoras, publica seus próprios álbuns (já foram quatro, começando de Armandinho – Zero), com merecido sucesso.
Pra mim, a melhor tira brasileira da atualidade. O catarinense Alexandre Beck tem na internet um séquito de fãs e, mesmo assediado por editoras, publica seus próprios álbuns (já foram quatro, começando de Armandinho – Zero), com merecido sucesso.
15) Aâma – Volume 2 – A multidão invisível (Nemo)
Este segundo álbum (são quatro) da série assinada por Frederik Peeters recebeu o prêmio de Melhor Série no 40º Festival de Angoulême, na França, em 2013. História cheia de mistérios e ficção científica. Todos os tomos já saíram na Europa,
Este segundo álbum (são quatro) da série assinada por Frederik Peeters recebeu o prêmio de Melhor Série no 40º Festival de Angoulême, na França, em 2013. História cheia de mistérios e ficção científica. Todos os tomos já saíram na Europa,
14) Bear – Volume 1 (Nemo)
Mais um quadrinho nacional que nasceu na web chega – e bem – ao mercado. Bianca Pinheiro faz uma série incrivelmente terna sobre uma menina que se perde dos pais e é ajudada por um urso. Tudo com um desenho que emana fofura.
Mais um quadrinho nacional que nasceu na web chega – e bem – ao mercado. Bianca Pinheiro faz uma série incrivelmente terna sobre uma menina que se perde dos pais e é ajudada por um urso. Tudo com um desenho que emana fofura.
13) Saga – Volume 1 (Devir)
Este primeiro volume não me fisgou tanto pela trama (que dá toda pinta de que vai engrenar forte mais pra frente), mas pela ótima construção dos personagens. Belo trabalho do Brian K. Vaughan, com um desenho lindo da Fiona Staples.
Este primeiro volume não me fisgou tanto pela trama (que dá toda pinta de que vai engrenar forte mais pra frente), mas pela ótima construção dos personagens. Belo trabalho do Brian K. Vaughan, com um desenho lindo da Fiona Staples.
12) Os mortos-vivos – Volume 14 – Sem saída (HQM)
Tem uma coisa que os fãs desta série já sabem: é melhor não se apegar muito aos personagens, pois o roteirista Robert Kirkman não poupa ninguém. Neste volume, em mais uma reviravolta na trama, ele novamente deixa o leitor embasbacado.
Tem uma coisa que os fãs desta série já sabem: é melhor não se apegar muito aos personagens, pois o roteirista Robert Kirkman não poupa ninguém. Neste volume, em mais uma reviravolta na trama, ele novamente deixa o leitor embasbacado.
11) Aos cuidados de Rafaela (Zarabatana)
Outro bom álbum que chegou ao mercado oriundo do ProAC. Marcelo Saravá (roteiro) e Marco Oliveira (arte) contam a história do amor sufocante, doentio até, de Nicolas por Rafaela. A trama tem uma pegada bem Nelson Rodrigues
Outro bom álbum que chegou ao mercado oriundo do ProAC. Marcelo Saravá (roteiro) e Marco Oliveira (arte) contam a história do amor sufocante, doentio até, de Nicolas por Rafaela. A trama tem uma pegada bem Nelson Rodrigues
10) Valente – Para o que der e vier (Panini)
Valente é uma feliz mistura de humor, romance e nerdices. Vitor Cafaggi, pra variar, acerta a mão e este quarto álbum da série é, sem dúvida, o mais engraçado. São várias piadas ligadas à cultura pop. E há ainda pin-ups de vários convidados.
Valente é uma feliz mistura de humor, romance e nerdices. Vitor Cafaggi, pra variar, acerta a mão e este quarto álbum da série é, sem dúvida, o mais engraçado. São várias piadas ligadas à cultura pop. E há ainda pin-ups de vários convidados.
9) O quinto Beatle – A história de Brian Epstein (Aleph)
Um grande álbum sobre a trajetória de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Uma história de vida e tanto. O roteiro de Vivek J. Tiwary é bem amarrado e a arte de Andrew C. Robinson, linda. Tudo embalado numa edição soberba da Aleph.
Um grande álbum sobre a trajetória de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Uma história de vida e tanto. O roteiro de Vivek J. Tiwary é bem amarrado e a arte de Andrew C. Robinson, linda. Tudo embalado numa edição soberba da Aleph.
8) Ken Parker – Cara de cobre (Cluq)
Que HQ maravilhosa! Mais um roteiro genial de Giarcarlo Berardi, sobre o último índio de uma tribo. Arte de Ivo Milazzo, Lucca Vannini e Pasquale Frisenda. Só não está melhor ranqueada devido à revisão muito descuidada do CLUQ.
Que HQ maravilhosa! Mais um roteiro genial de Giarcarlo Berardi, sobre o último índio de uma tribo. Arte de Ivo Milazzo, Lucca Vannini e Pasquale Frisenda. Só não está melhor ranqueada devido à revisão muito descuidada do CLUQ.
7) Kaputt (WMF Martins Fontes)
Guazzelli adaptou seis contos do jornalista e escritor italiano Curzio Malaparte, na cobertura da Segunda Guerra Mundial para o jornal Corriere della Sera. Em algumas HQs, quase sem texto, as imagens "falam" mais do que as palavras.
Guazzelli adaptou seis contos do jornalista e escritor italiano Curzio Malaparte, na cobertura da Segunda Guerra Mundial para o jornal Corriere della Sera. Em algumas HQs, quase sem texto, as imagens "falam" mais do que as palavras.
6) Quaisqualigundum (independente)
Tive a honra de prefaciar este álbum, escrito por Roger Cruz e desenhado por Davi Calil. As histórias se passam antes, durante e depois das clássicas músicas do mestre Adoniran Barbosa, um de meus sambistas favoritos. Leitura deliciosa.
Tive a honra de prefaciar este álbum, escrito por Roger Cruz e desenhado por Davi Calil. As histórias se passam antes, durante e depois das clássicas músicas do mestre Adoniran Barbosa, um de meus sambistas favoritos. Leitura deliciosa.
5) Irmãos de guerra (Ática)
Penso que, se a divulgação da Ática fosse melhor, este álbum estaria em todas as listas do ano! Em pleno 2002, crianças são raptadas em Uganda, para se tornarem soldados. A crueldade a que são expostas nessa "transformação" machuca o leitor.
Penso que, se a divulgação da Ática fosse melhor, este álbum estaria em todas as listas do ano! Em pleno 2002, crianças são raptadas em Uganda, para se tornarem soldados. A crueldade a que são expostas nessa "transformação" machuca o leitor.
4) Cumbe (Veneta)
Neste álbum, que foi um dia ganhadores do ProAC de 2013, Marcelo D'Salete conta quatro histórias de escravos, sempre focando na esperança e na resistência. As tramas são duras, realistas e violentas. Difícil o leitor desgrudar os olhos das páginas.
Neste álbum, que foi um dia ganhadores do ProAC de 2013, Marcelo D'Salete conta quatro histórias de escravos, sempre focando na esperança e na resistência. As tramas são duras, realistas e violentas. Difícil o leitor desgrudar os olhos das páginas.
3) Os ignorantes – Relatos de duas iniciações (WMF Martins Fontes)
Este álbum encantador mostra que quadrinhos podem narrar qualquer tipo de história. Um quadrinhista e um vinicultor trocam experiências e acham semelhanças entre seus trabalhos. Leitura recomendada a quem curte vinhos e HQs de qualidade.
Este álbum encantador mostra que quadrinhos podem narrar qualquer tipo de história. Um quadrinhista e um vinicultor trocam experiências e acham semelhanças entre seus trabalhos. Leitura recomendada a quem curte vinhos e HQs de qualidade.
2) A vida de Jonas (Zarabatana)
Não bastasse a dificuldade de retratar os problemas causados pelo alcoolismo, Magno Costa resolveu fazer isso usando bonecos do estilo Muppets, que praticamente não têm expressão facial, como personagens. Mais um grande álbum advindo do ProAC.
Não bastasse a dificuldade de retratar os problemas causados pelo alcoolismo, Magno Costa resolveu fazer isso usando bonecos do estilo Muppets, que praticamente não têm expressão facial, como personagens. Mais um grande álbum advindo do ProAC.
1) Tungstênio (Veneta)
Marcelo Quintanilha simplesmente destruiu! Impressionantes as suas cenas de ação, o modo como lida com a passagem do tempo e como ele desenha coisas que todos veem no dia a dia, mas que raramente são mostradas em quadrinhos. Sensacional!
Marcelo Quintanilha simplesmente destruiu! Impressionantes as suas cenas de ação, o modo como lida com a passagem do tempo e como ele desenha coisas que todos veem no dia a dia, mas que raramente são mostradas em quadrinhos. Sensacional!
Para elaborar minhas listas, sempre faço questão de ler praticamente tudo que saiu no ano. Depois, faço um apanhado do que mais gostei e algumas obras que não entram nas 20 “eleitas” eu destaco com menção honrosa. Eis as de 2014, desta vez em ordem alfabética: A invenção de Morel (L&PM), A última bailarina (independente), Bourbon Street – Turnê de despedida (8Inverso), Captar (independente), Demolidor – Volume 3 – Medo e delírio na Latvéria (Panini), Depois da escuridão (Atomic), Dora (independente), Galho seco (independente); Grande Sertão: Veredas (Globo); Klaus (Balão), L’amour: 12 oz (Mino), Legião (Zarabatana), Lucky Luke – Volume 4 – 1956-1957 (Zarabatana), Macanudo 7 (Zarabatana), Nenhum dia sem um traço (independente), O Inescrito – Volume 5 – Ontogênese (Panini); O ladrão dos ladrões (HQM), Olympe de Gouges (Record), Quad 2 (independente), São Jorge – Volume I – Soldado do Império (Panini) e Transmetropolitan – O flagelo de Spider (Panini).



















