quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Uma casa com muitas histórias pra contar


(De cara, devo dizer que este texto não fará qualquer sentido para muitas pessoas, que habitaram diversos lares ao longo da vida, mas quem, como eu, nasceu e cresceu sempre debaixo do mesmo teto deve entender o porquê das palavras abaixo.)

Hoje é um dia estranho pra mim. Devido à correria profissional em que ando, pouco tenho atualizado este blog, porém senti que precisava "botar pra fora" o que estou sentindo.

Isso porque, enquanto estou tão longe de casa, em Frankfurt, na Alemanha, minha mãe está se mudando da casa onde ela e meu pai construíram suas vidas, criaram os quatro filhos, viram os nove netos correndo pelo enorme quintal e viveram tantas coisas maravilhosas - e péssimas.

Naquela casa tão acolhedora, li meus primeiros quadrinhos, joguei muito futebol e vôlei com meu irmão, disputei incontáveis partidas de futebol de mesa e tênis de mesa (os populares jogo de botão e pingue-pongue), briguei com meus pais, saí no tapa com meus irmãos, vi todas as Copas do Mundo da minha vida (e comemorei três títulos) e tantos triunfos (e fracassos) do meu Corinthians, me machuquei, brinquei de balanço, coloquei ratoeiras, chorei e ri pra caramba.


O lar dos Gusman, na boa e velha Mooca, em São Paulo, me viu fazer inúmeras caças ao tesouro para meus filhos e sobrinhos (a última, espetacular, modéstia à parte, foi há pouco mais de 15 dias, numa noitada de despedida que armamos, com todos os nove netos, de 5 a 21 anos, no escuro e devidamente munidos de lanternas). Também me viu ser office boy, professor de educação física, repórter esportivo de rádio e, enfim, começar a escrever sobre quadrinhos. Aqueles armários abrigaram até outro dia todos os meus formatinhos.

Aquelas paredes testemunharam a roupa de Papai Noel passar do meu saudoso pai para mim, pois as crianças da família sempre receberam (e receberão) seus presentes, na noite de Natal, do "bom velhinho". E não dá nem pra contar quantos dias dos pais, das mães e das crianças, páscoas, festas juninas, amigos secretos, aniversários e outros encontros familiares aconteceram ali. 


Mas acho que esse monte de lembranças boas só existe porque sei muito bem do esforço que o meu pai fez para comprar aquela casa. E que foi ainda maior quando, nos anos 1980, ele decidiu reformar o lar dos Gusman – até então bastante simples –, para nos proporcionar mais conforto. A partir de então, os meninos passaram a ter um quarto; e as meninas, outro. E ganhamos um salão, nos fundos, para fazer a lição e brincar. 

Daquela época, lembro bem dos passeios de domingo, quando minha mãe, a Dona Nina, nos fazia entrar e sair de diversas casas, com o intuito de se mudar. Só que o seu Domingos preferiu ficar, pois tinha um apreço enorme por aquele lugar. Talvez pelo suor que derramou para mantê-lo em pé - assim como sempre fez com a sua família.


E porque sabia que, por não ser um cara de posses, a casa era o que deixaria para minha mãe quando partisse. E fico feliz de ter ajudado para que o sonho dele acontecesse. Afinal, é claro que ali também vivemos coisas ruins. Mas essas recordações servem para fortalecer o tanto de momentos incríveis que experimentamos naquela "casa de loucos", como a Dona Nina sempre falava quando estava uma gritaria absurda de crianças e adultos. :-)

Não sou um cara que se apega tanto a bens materiais, mas, antes de sair do Brasil, admito que me bateu uma tristeza enorme ao pensar que, quando eu voltar, não será mais lá que a família se reunirá nos almoços de domingo, nas pizzas de sexta-feira ou em qualquer outro dia da semana que justificasse nosso encontro. E que o Natal deste ano será em outro lugar, os jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2014 serão vistos em outra casa etc.


Só que logo passou. Porque, como falei ao novo proprietário, se ele e sua família alcançarem metade da felicidade que minha mãe teve ali, já serão felizes pra caramba. E torço demais por isso.

A Dona Nina, tenho certeza, vai ser extremamente feliz em seu novo (e mais aconchegante - ou seja, adequado à sua real necessidade atual) lar; e o seu Domingos, de onde estiver, está orgulhoso. Afinal, os Gusman estão saindo daquela adorável casa, mas ela nunca vai sair de nós.

domingo, 5 de maio de 2013

As estatuetas da DC (e outras coisinhas)

Desde o ano passado, a Panini está lançando em bancas uma coleção de miniaturas em chumbo dos heróis e vilões da Marvel Comics. Essa linha de memorabilias é produzida pela Eaglemoss, empresa especializada em colecionáveis.

Recentemente, no entanto, a Eaglemoss decidiu assumir a operação dessa coleção no Brasil, como já foi noticiado. E uma das grandes novidades é a linha de heróis e vilões da DC Comics, que deve estrear no segundo semestre de 2013.

Como a coleção da DC foi feita algum tempo depois da da Marvel, a qualidade das estatuetas é bem superior. Posso dizer porque tenho 47 delas - ganhei a maioria de amigos da Planeta DeAgostini, que lançou a coleção em Portugal, e comprei as demais em viagens à Europa e aos Estados Unidos.

Pra que você possa constatar, seguem fotos de todas elas, devidamente alocadas nas minhas estantes. ;-)

 Coringa, Arlequina, Espantalho e Pinguim.

 Ra's Al Ghul, Duas-Caras e Charada.

 Batman, Robin (Tim Drake) e Asa Noturna.

 Mulher-Gato e Batwoman.

 Superman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde (Hal Jordan).

 Arqueiro Verde, Aquaman e Caçador de Marte.

 Capitão Marvel, Tornado Vermelho, Homem-Elástico e Zatanna.

 Sr. Milagre, Besouro Azul e Homem-Borracha.

 Estelar, Mutano e Supergirl.

 Metamorfo, Arqueivo Vermelho e Adam Strange.

Vingador Fantasma, Exterminador, Irmão Sangue e Capitão Frio.

Lex Luthor, Mary Marvel, Adão Negro e Superboy Prime. 

 Rastejante, Hitman, Cósmico e Espectro.

 Pantera, Dr. Meia-Noite e Starman.

Apesar de não serem da DC, resolvi incluir as fotos abaixo nest post, por também serem memorabilias muito bacanas, só que referentes a quadrinhos europeus.

Asterix e Obelix (as únicas desta lista que são em plástico) .

Júlia e Dylan Dog, sucessos dos fumetti.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Relembrando a 1ª Bienal de Quadrinhos do Rio (ou O dia em que conheci Moebius e Will Eisner)

O ano era 1991. Eu trabalhava como redator nos títulos de quadrinhos da Editora Globo. No começo de novembro, foi realizada a 1ª Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio de Janeiro, e fui ao evento para produzir matérias para a seção HQ Press, da revista Sandman.

Dá pra imaginar o que isso significava para um cara que até um ano antes era só um estudante de jornalismo muito, muito fã de quadrinhos?

E a Bienal foi simplesmente fenomenal. Convidados de altíssimo nível, mostras por toda a cidade, cartazes temáticos feitos por artistas internacionais e muto mais. Além disso, havia, pelo menos, duas exposições incríveis. A primeira era Isto é a França, com ates originais de Moebius, Frank Margerin, François Bourgeon, Jano, François Schuiten, François Boucq e outros espalhadas em cenário pós-apocalíptico e uma estátua enorme de Hórus, personagem da Trilogia Nikopol, de Enki Bilal, lançada em 2011, na íntegra, pela Nemo.

A outra era O Mundo de Tex, uma reprodução de uma cidade do Velho Oeste, com direito a saloon, para exibir originais dos artistas da Sergio Bonelli Editore. Impossível não entrar no clima das aventuras do ranger.

Mas o momento mais marcante, para mim, foi outro. Estava eu numa conversa no estande da Globo, quando minha diretora na época, a Flavia Ceccantini, bateu no meu ombro e disse: "Sidney, quero te apresentar duas pessoas".

Eu me virei na maior naturalidade e na minha frente estavam "apenas" Moebius e Will Eisner. Nunca fui de ficar sem graça, mas manja aquele momento em que você não sabe o que dizer? Se falava em inglês, francês, espanhol, português, italiano, russo ou grego? Foi o que aconteceu. Apenas cumprimentei os dois, disse algumas palavras (as quais nem consigo me lembrar) e fiquei ali, abobado, por estar perto de duas lendas dos quadrinhos mundiais.

Depois, o pessoal da redação tirou sarro da minha cara, pois disseram que eu parecia um menino que acabara de ganhar um presente. E não é que era verdade?

Durante o evento, eu ainda conheceria Sergio Bonelli, Mauricio de Sousa, Ziraldo, Alberto Breccia, José Muñoz, Carlos Sampayo, Frank Margerin, o jornalista inglês Paul Gravett e muita gente que, anos mais tarde, se tornaria bastante conhecida no mercado de quadrinhos, como Lourenço Mutarelli, por exemplo.

A 1ª Bienal de Quadrinhos do Rio foi o primeiro evento de quadrinhos do qual participei. E segue até hoje como um dos melhores que vi em tantos anos trabalhando com HQs.

E como muitos leitores nem haviam nascido naquela época, seguem abaixo as três matérias (eram pra ser quatro, como aparece logo no começo do primeiro texto) que produzi sobre o evento. Note uma curiosidade: no começo dos anos 1990, chamávamos os quadrinhos de Oitava Arte. Até hoje me pergunto quando as HQs foram rebaixadas...

Matéria 1

 
 

Matéria 2

 
 

Matéria 3


 
 


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Só os nerds veem...

Hoje, enquanto navegava no portal G1, vi a foto abaixo (tirada por Owen Humphfreys, da Associated Press), com ondas gigantes na costa de Seaham, no nordeste da Inglaterra. Veja aqui a notícia.


A imagem por si só impressiona, mas, ao bater o olho, "enxerguei" na forma da onda gigante uma forma humanoide, como se fosse um gigante, numa típica pose de quadrinhos de super-heróis, à frente do farol. 

Chamei o Flavio Teixeira, roteirista da MSP, e perguntei: "O que você vê aqui?". E ele, de cara: "O Hulk!" 

Não cheguei a tanto (até porque acho que parece mais o Fanático - Ha, ha, ha), mas atestei: tem coisa que só os nerds veem. :D

E você, teve a mesma impressão?

Causos do mercado de quadrinhos: "Fui eu, Sidão!"

Como o personagem desta história já tornou isso público num depoimento pra mim no Orkut e cheguei a postá-la no Blog do Universo HQ, posso recontá-la aqui sem preocupações.

Em 1991, eu trabalhava como redator da Editora Globo e tinha, entre outras atribuições, a "chata" incumbência de redigir as matérias que saíam na seção HQ Press, da revista Sandman.

Um dia, apareceram na redação dois jovens leitores para mostrar seus trabalhos pro editor, o Leandro Luigi Del Manto. Um se chamava Ricardo Giassetti, que anos depois se tornaria um dos donos da extinta Pandora Books e roteirista (ele é o autor de O filho da costureira e o catador de batatas ou O catador de batatas e o filho da costureira); e o outro, Delfin, que viraria um multimídia que, entre outras coisas, faz um programa de rádio na web, o Ninho do Coruja, escreve muito bem sobre quadrinhos e, produz capas de livros para várias editoras - veja aqui o portfólio do estúdio dele no Facebook.

Os dois estavam começando e o papo correu solto. Em dado momento, Delfin citou uma revista chamada Mephisto - Terror Negro, da editora ICEA, de Campinas. Nem deixei ele terminar a frase.

- Eu conheço - falei.

- Sério? - perguntou o Delfin, todo animado

- Sim, os caras chuparam minha matéria do Sandman # 13 (sobre os sonhos nos quadrinhos, que deu um trabalho de pesquisa do cão) na maior cara-dura! - esbravejei.

- É verdade! - ele disse.

- Você também viu a tal matéria? - indaguei.

- Não, fui eu que escrevi... - ele confessou.

Cara, ficou um silêncio sepulcral na redação. É difícil me deixar sem graça, mas a humildade dele na hora me quebrou. O Delfin (que tinha 19 anos, na época) disse que respeitava muito meu trabalho, que eu servia como fonte e, por inexperiência, acabou copiando vários trechos e tal.

Apesar do que o Delfin classifica como vexame, eu fiquei sem ação, disse que entendia, mas pedi para ele não fazer mais aquilo. Expliquei que a pesquisa era válida, mas que criasse seus próprio estilo de escrever etc.

Até hoje, damos boas risadas quando lembramos desse episódio. O Delfin fala que ficou anos sem poder me encarar, mas isso é bobagem, pois o cara se tornou um baita profissional, colaborador (beeeeeem esporádico) do Universo HQ e, principalmente, um grande amigo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vai um vilão aí?

Desde o lançamento de Astronauta - Magnetar, do Danilo Beyruth, entrei numa correria está tamanha que não consegui fazer um mísero post aqui pro meu blog pessoal. Tentarei corrigir isso...

Bom, a novidade da vez para quem curte o meu trabalho é o Guia Curioso dos Vilões do Cinema e da TV, um especial da revista Mundo Estranho, da Abril, com a qual colaboro desde 2004. Veja aqui alguns trabalhos que fiz, como free-lance, para a editora em 2012.

Neste especial, que está indo muito bem de vendas, os textos são dos repórteres Victor Bianchin, Nathan Fernandes e Luiz Romero, e o design, sempre pra lá de competente, é da Ale Kalko e da Nika Santos.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Entrevista no Quadrinhos para quadrados e redondos

No dia 16 de outubro, fui o entrevistado do programa Quadrinhos para quadrados e redondos, comandado pelo Kendi Sakamoto e que é transmitido pela internet, no Clic TV.

Durante o bate-papo, falei desde o começo de minha carreira como jornalista e especialista em quadrinhos até o trabalho que desenvolvo desde 2006 na Mauricio de Sousa Produções.


 A entrevista, em dois vídeos, já está disponível para quem quiser assistir.