quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Os melhores quadrinhos de 2015, na minha opinião

Como sempre acontece nos meses de dezembro e janeiro, pululam (adoro esse verbo!) listas de melhores quadrinhos do ano. Eu, como sou chato pra caramba, só faço a minha após ler todos os candidatos que considero ter chances de figurar na danada.

Mas, antes de partir para os finalmentes, vale dizer que, durante muitos anos, fui o responsável pela lista dos melhores quadrinhos do ano do Universo HQ, site do qual sou editor-chefe. Em 2012, isso mudou porque a minha atuação como editor na Mauricio de Sousa Produções aumentou e ficaria complicado eleger (ou não) obras nas quais trabalhei diretamente. A saída, então, foi mudar a forma como a relação era formada – para entender, clique aqui.

Só que em 2013 revi a minha posição. Eu leio a imensa maioria dos álbuns e edições especiais – independentemente do gênero – lançados a cada ano (a partir de 2015, passei a publicar aqui no blog tudo que li, mês a mês) e muita gente gosta das indicações que faço no Instagram, no Twitter e no Facebook, quando curto uma HQ. Além disso, é legal demais ver que várias pessoas vão atrás desta ou daquela obra de determinado autor, após eu fazer um #DicaHQ a respeito dela.

Por isso, retomei a minha lista de melhores do ano. Ela é bastante eclética, com representantes de diversos gêneros, como você verá abaixo, mas tem ressalvas.

Evidentemente, por razões éticas, ficaram de fora as quatro Graphics MSP que editei em 2015: Penadinho – Vida, de Paulo Crumbim e Cristina Eiko, Turma da Mônica – Lições, de Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi, Turma da Mata – Muralha, de Artur Fujita, Roger Cruz e Davi Calil, e Louco – Fuga, de Rogério Coelho. E esse critério será seguido enquanto eu fizer este rol.

Assim, aí vão as melhores HQs publicadas em 2015, na minha opinião, ranqueadas e em ordem decrescente. Além disso, só considerei obras inéditas, e todas seguem com um rápido comentário meu e (quando possível) com links para resenhas ou notícias no Universo HQ, para quem quiser saber mais sobre elas.

20) Cavaleiro da Lua # 1 – Dos mortos (Panini)

Faz tempo que ando desgostoso com super-heróis, mas o Cavaleiro da Lua de Warren Ellis é tudo o que falavam. Roteiros curtos, com um personagem doentio e arte competente de Declan Shalvey (com cores de Jordie Bellaire). A segunda história do encadernado é uma aula de narrativa!


19) Apocalipse, por favor (independente);

Não apoiei este projeto no Catarse, mas comprei o álbum no FIQ. Ainda bem! Uma ótima história sobre a espera pelo fim do mundo, na ótica de um cara paranoico, uma garota frustrada no amor e um político corrupto. Felipe Parucci já tem meu voto de autor revelação de 2015 no HQ Mix.


18) Pai e Filho (Octavo)

Um clássico da Alemanha, que só agora o Brasil descobre. São divertidas e politicamente incorretas tiras de uma página de e.o.plauen (pseudônimo de Erich Ohser), publicadas de 1934 a 1937, mostrando situações envolvendo pai e filho. O autor foi morto por discordar do regime nazista.


17) Bear – Volume 2 (Nemo)

Segundo álbum com a fofa história da menina Raven, que conta com o urso Dimas para encontrar seus pais. Eles vão parar numa cidade em que só há crianças. Maldição ou solução? Boa pergunta. Roteiro envolvente, que te faz querer ler mais (e logo) e arte linda. Bianca Pinheiro mandando bem. De novo!


16) O trem dos órfãos 1 – Jim / 2 – Harvey (8Graphics / BesouroBox)

O francês Philippe Charlot aborda um tema desconhecido da História dos EUA: o programa Orphan Train Riders, a maior migração de menores da humanidade. Uma trama sobre órfãos, cheia de emoção. A edição reúne os dois primeiros tomos da saga, com arte de Xavier Fourquemin e cores de Scarlett Smulkowski.


15) Que Deus te abandone (Sesi-SP / Quanta)

Escrito por André Diniz e com arte de Tainan Rocha, mostra algo tristemente comum no Brasil: gente simples lidando com tragédias "naturais" causadas pelos abusos do homem. Neste caso, um deslizamento de terra em Petrópolis. E, mesmo numa hora tão difícil, o melhor e o pior do ser humano pode aflorar.



Escrita por Fabien Nury e lindamente desenhada por Sylvain Vallée, esta premiada série se passa durante a Segunda Guerra e é centrada no judeu milionário Joseph Joanovici, que, na relação com os alemães, pode ser considerado um vilão ou um herói. Que os quatro tomos restantes também saiam por aqui.


13) Nada com coisa alguma (independente).

Um dos melhores e mais ousados álbuns de tiras produzidos no Brasil nos últimos anos. Não apenas pelas boas piadas, mas pela experimentação que José Aguiar promove na leitura. Com um projeto gráfico lindo, ele faz você ler um quadro por página, em círculo, no sentido horário, de trás pra frente, na diagonal e por aí afora.


12) A morte de Stálin (Três Estrelas)

Outro premiado álbum europeu. Mesclando fatos e situações ficcionais sobre a morte do então todo-poderoso da União Soviética, Fabien Nury constrói uma trama cheia de meandros políticos, que prende a atenção sem uma única cena de ação. Tudo com a arte linda de Thierry Robin. Leitura densa e muito prazerosa.


11) O muro (Nemo)

Uma das gratas surpresas do ano. Os belgas Céline Fraipont (texto) e Pierre Bailly (arte) contam a história de uma adolescente (13 para 14 anos) que cresce "na marra" por causa de um drama familiar. E no caminho descobre o álcool, as drogas, os pequenos crimes, o amor e a dor. E ainda precisa lidar com a escola.


10) La Dansarina (Quadro a Quadro)

La Dansarina era a gripe espanhola, que matou muita gente no Brasil no Século 20. E ela é o gancho para Lillo Parra contar uma bela história de devoção de um filho a uma mãe. Com a arte espetacular de Jefferson Costa. Outra grande HQ selecionada no ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.


9) Lavagem (Mino)

Um casal vive isolado num mangue. Ela é analfabeta e temente a Deus, mas deseja o pecado da carne. Ele, um bruto descrente, passa mais tempo com os porcos do que com as pessoas. Uma história densa, com um suspense/terror psicológico, cortesia do ótimo Shiko, que obriga o leitor a pensar e analisar cada quadro.


8) A propriedade (WMF Martins Fontes)

Esta pérola da israelense Rutu Modan traz a comovente história de uma avó (judia) que volta à Polônia, de onde fugiu há décadas, para não mais voltar. Ela vai com a neta, em busca de uma herança e de um acerto de contas com si mesma. É quando passado e presente das duas gerações começam a mostrar pontos em comum.


7) Dupin (Zarabatana)

Leandro Melite fez uma adaptação muito livre do conto Os assassinatos da rua Morgue, de Edgar Allan Poe. Dupin, que na literatura é uma espécie de precursor de Sherlock Holmes, é um garoto ainda. Dá gosto de ver como cada personagem tem sua voz, seu jeito de falar. Texto primoroso e arte expressiva demais.


6) O mundo de Aisha – A revolução silenciosa das mulheres no Iêmen (Nemo)

Adoro quando quadrinhos contam histórias que outros meios de comunicação ignoram. É o caso deste álbum do italiano Ugo Bertotti, baseado em relatos e fotos de sua conterrânea Agnes Montanari, que mostra a dura realidade das mulheres do Iêmen, escravizadas, violentadas e até assassinadas, escondidas sob seus niqabs.


HQ autobiográfica da austríaca Ulli Lust, premiada em Angoulême e no Ignatz, Aos 17 anos, a autora era punk e viajou à Itália, sem grana e com uma "amiga" que mal conhecia, para viver dias de sexo, drogas, rock, mafiosos e até o pior temor de uma mulher. Tudo num traço simples, mas com uma narrativa poderosa.


4) O árabe do futuro – Uma juventude no Oriente Médio (1978-1984) (Intrínseca)

Riad Sattouf, filho de um sírio e uma francesa, conta os perrengues que passou na infância por ser loirinho e ter cabelos cacheados, na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. Com um desenho cartunesco, ele mostra os hábitos e costumes locais. Obra premiada em Angoulême em 2015. E este é só primeiro tomo!


3) Uma metamorfose iraniana (Nemo)

O iraniano Mana Neyestani narra como sua vida desmoronou após a publicação de um desenho infantil seu num jornal. Acusado de provocar os azeris, povo de origem turca ao Norte do Irã (na arte, uma barata fala um termo azeri para um menino), ele é preso e vive dias terríveis. Inclusive quando foge de seu país com a esposa.


2) Ardalén (Realejo)

Tentando desvendar o sumiço de seu avô, uma mulher chega a um vilarejo na Galícia, onde um ex-marinheiro bastante idoso talvez a ajude. Um álbum sobre memórias, que fica na memória de quem lê. Que obra do espanhol Miguelanxo Prado! Só não ficou em primeiro da lista, por alguns descuidos editoriais.


1) Pílulas azuis (Nemo)

Imagine o que você faria se a mulher pela qual está perdidamente apaixonado contasse que ela e o filho (do primeiro casamento) têm o vírus HIV. Pois o suíço Frederik Peeters passou por isso e criou esta maravilhosa história em quadrinhos sobre o amor, o medo, a insegurança e outros sentimentos. Uma lição de vida!


Para elaborar esta lista, sempre faço questão de ler o máximo possível, dentro do escopo que me propus a analisar. Depois, faço um apanhado do que mais gostei e algumas obras que não entram nas 20 “eleitas” eu destaco com menção honrosa. Eis as de 2015, desta vez em ordem alfabética: Acordes # 2 (Devir); Dias interessantes, de Liber Paz (independente); Fifo, de Guilherme de Sousa (independente); Jockey (Veneta); Mate minha mãe – Uma graphic novel (Quadrinhos na Cia.); Na vida real (Jupati); Navio dragão, de Rebeca Prado (independente); O barco dos sonhos (Positivo); O despertar de Zé Fogueira, de Reiner Petter (independente); O mundo de Yang, de Orlandeli (independente); Open Bar – V. 1, de Eduardo Medeiros (Stout Club); Quimeras (Veneta); Parker – O caçador (Devir); Pétalas (Jupati / Tambor); Primeiras vezes (Nemo); Robô esmaga (JBC); Saga – Volume Dois (Devir); Sandman – Prelúdio # 1 (Panini); Uma vida chinesa I – O tempo do pai (WMF Martins Fontes) e Will Tirando nº 1, de Will Leite (independente).

Hoje, infelizmente, não consigo mais acompanhar as séries regulares. Por isso a minha lista é focada apenas em edições especiais. No entanto, acho que vale, pelo menos, citar aqui, também em ordem alfabética, as que gostei mais, dentre as poucas coisas que li: 20th Century Boys (Panini), Blade – Lâmina do Imortal (JBC), Demolidor (Panini), Miracleman (Panini), Monster (Panini) e Ultraman (JBC).

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Acredite, se quiser: li 112 HQs em dezembro

Quando olhei as pilhas de revistas que peguei no FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos e na CCXP – Comic Con Experience, resolvi que tentaria baixá-las ao máximo, no menor tempo possível. Então, comecei a me colocar metas.

E fui derrubando-as. Claro que o fato de muitas dessas revistas serem curtinhas me ajudou demais, mas no meio do caminho havia materiais parrudos. E eu aproveitei muito meus primeiros dias de férias. Então, quando vi, tinha fechado dezembro com impressionantes (ao menos para mim) 112 HQs – mais de 3,5 por dia! E 89 foram nacionais! Confira todas elas abaixo.

E, se quiser saber tudo que já li neste ano, é só clicar nos links a seguir: novembro, outubro, setembro, agosto,  julho, junho, maio, abril, março, fevereiro e janeiro.

O meu placar de 2015 fechou com 433 HQs lidas em 365 dias. Nada mau! Duro vai ser bater esse número em 2016. Mas como adoro desafios...

Não vou comentar individualmente cada título. Nem dizer quais achei melhores ou piores. Para isso, tenho a hashtag #DicaHQ, nas minhas redes sociais, e a lista de melhores do mês do Universo HQ.

Mas, claro, estou sempre à disposição dos autores e editores que quiserem saber minha opinião sobre suas obras, caso eles se interessem em conhecê-la.

Vamos lá!


Leituras de dezembro (112 títulos)